O estresse percebido é o fator que mais impacta negativamente o cotidiano do médico brasileiro, segundo os dados revelados pelo Índice Afya MedQoL. Este levantamento, o primeiro de alcance nacional focado no bem-estar dessa categoria, contou com a participação de 2.005 profissionais de todas as regiões do país. Publicado na revista científica British Medical Journal Open, o estudo oferece um diagnóstico profundo sobre a saúde mental e os desafios estruturais enfrentados na linha de frente da saúde.
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Para Eduardo Moura, diretor do Research Center da Afya e um dos autores da pesquisa, o objetivo central foi mensurar como as exigências da carreira moldam a percepção de felicidade e equilíbrio. Os dados foram coletados em meados de 2024, consolidando uma base estatística robusta que permite entender as pressões específicas exercidas sobre quem exerce a medicina no Brasil atualmente.
Fatores de risco para a saúde mental do médico brasileiro
A análise estruturou-se em três pilares fundamentais para compreender a rotina profissional. O primeiro é a qualidade de vida global, que reflete a satisfação geral com a própria existência. O segundo ponto é o apoio institucional, que avalia o clima organizacional e a segurança psicológica oferecida pelos locais de trabalho. Por fim, o estresse percebido destacou-se como o elemento mais crítico, englobando a pressão por produtividade e a extensão exaustiva da jornada laboral.
O estudo aponta que o nível de estresse é significativamente mais acentuado entre as mulheres, profissionais em início de carreira e aqueles que cumprem cargas horárias semanais superiores a 60 horas. Moura observa que o médico brasileiro é frequentemente pressionado por expectativas sociais e financeiras. Embora a remuneração seja superior à média nacional, a busca por manter um alto padrão de vida resulta em jornadas muito superiores às de outras ocupações, variando entre 52 e 54 horas semanais em média.
Renda elevada e o limite da qualidade de vida
Um dado relevante do levantamento indica que o aumento salarial, especialmente para quem já recebe R$ 25 mil ou mais, não garante necessariamente um incremento na qualidade de vida. Isso sugere que, a partir de determinado patamar financeiro, o ganho marginal não compensa o desgaste mental. O equilíbrio real depende mais da capacidade de abrir mão de ganhos financeiros extras em troca de tempo e saúde.
No caso dos médicos recém-formados, a situação é agravada pela ocupação de postos de trabalho em áreas periféricas ou com menos recursos tecnológicos e humanos. Esses profissionais acabam assumindo as rotinas mais intensas, o que explica a maior incidência de esgotamento e pressão psicológica nos primeiros anos de atuação profissional.
Violência e a necessidade de apoio institucional
Embora a pesquisa original tenha focado na percepção subjetiva, dados do Conselho Federal de Medicina (CFM) reforçam o cenário de vulnerabilidade. No Brasil, nove médicos são vítimas de violência diariamente em seus locais de trabalho. Entre 2013 e 2024, foram registrados 38 mil boletins de ocorrência envolvendo ameaças, agressões e calúnias. Esse clima de insegurança é um componente adicional que deteriora o bem-estar do médico brasileiro.
Para reduzir o impacto do estresse, especialistas defendem que as instituições devem oferecer maior suporte. Quando há uma estrutura hospitalar adequada e uma equipe de apoio eficiente, o profissional consegue lidar melhor com a alta demanda. Estratégias como acompanhamento psicológico, núcleos de suporte para evitar o burnout, estímulo à atividade física e alimentação saudável são fundamentais para garantir a longevidade e a qualidade no exercício da profissão.
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