Escassez de áreas no Polo Industrial desafia expansão e mobiliza autoridades
A Zona Franca de Manaus enfrenta um novo desafio estrutural que pode comprometer sua expansão: a falta de terras disponíveis para instalação de cerca de 200 novas indústrias previstas para o Polo Industrial de Manaus (PIM). Mesmo após registrar faturamento recorde de R$ 227 bilhões em 2025, a limitação de áreas adequadas surge como um entrave significativo para o crescimento do modelo econômico na capital amazonense.
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O problema foi destacado pelo ex-superintendente da Suframa, Bosco Saraiva, pouco antes de deixar o cargo. Segundo ele, a questão já vinha sendo discutida desde 2024, quando o órgão buscou apoio da Prefeitura de Manaus para viabilizar mudanças no plano diretor da cidade. A proposta envolve ampliar o uso de áreas urbanas atualmente não destinadas à atividade industrial.
Saraiva ressaltou que o atual Distrito Industrial, localizado na zona Sul, já atingiu seu limite geográfico. “Mais ao sul temos o rio, o que impede a expansão. Por isso, a zona Norte precisa ser contemplada com novas áreas industriais”, afirmou. Ele também destacou o impacto social da atual configuração, mencionando que trabalhadores chegam a gastar até quatro horas diárias no deslocamento entre casa e trabalho.
Revisão do plano diretor é prioridade para destravar crescimento
A ampliação das áreas industriais depende diretamente da revisão do plano diretor municipal, cuja última atualização ocorreu ainda durante a gestão do ex-prefeito Arthur Virgílio Neto. A mudança é considerada essencial para permitir a instalação de indústrias em novas regiões da cidade.
O atual superintendente da Suframa, Leopoldo Montenegro, afirmou que a expansão do PIM será uma das prioridades de sua gestão. Segundo ele, já foram encaminhadas propostas à Prefeitura de Manaus para viabilizar a alteração do plano diretor. “Essa mudança precisa partir do município para que possamos avançar com as adaptações necessárias”, explicou.
O tema também já havia sido levantado anteriormente pelo secretário estadual de Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação, Serafim Corrêa. Ele destacou que o crescimento do polo industrial já ultrapassou os limites originalmente planejados e que há demanda crescente por grandes áreas — algumas empresas chegam a solicitar terrenos de até 120 mil metros quadrados, hoje indisponíveis.
Zona Franca de Manaus busca soluções com integração entre governos
Representantes do setor industrial reforçam que a solução para o problema exige articulação entre diferentes níveis de governo. O presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), Antonio Silva, defendeu uma atuação conjunta entre União e Prefeitura de Manaus.
Segundo ele, a expansão deve ocorrer com planejamento adequado e segurança jurídica, garantindo infraestrutura suficiente para suportar os novos empreendimentos. “É imprescindível promover uma sinergia entre os entes públicos para assegurar a implementação dessas novas indústrias”, afirmou.
Corredores industriais surgem como alternativa estratégica
Entre as soluções em análise, destaca-se a criação de corredores industriais ao longo das rodovias BR-174 e AM-010. A proposta, inspirada em modelos adotados em estados como São Paulo, prevê a delimitação de faixas de até um quilômetro a partir das margens das estradas para uso industrial e atividades de apoio.
De acordo com o diretor do Implurb, Carlos Valente, essas áreas teriam uso previamente autorizado para instalação de indústrias, facilitando o processo de licenciamento e atração de investimentos. Além disso, essas regiões já contam com infraestrutura energética e de gás, o que permitiria a instalação mais rápida de novas fábricas.
A criação desses corredores pode ser formalizada na revisão do plano diretor, mas também está sendo discutida a possibilidade de flexibilização inicial por meio de resolução do Conselho Municipal de Desenvolvimento Urbano (CMDU).
Expansão é crucial para manter competitividade do modelo
A necessidade de novas áreas industriais evidencia um momento decisivo para o futuro da Zona Franca de Manaus. Sem a ampliação da infraestrutura urbana e territorial, há risco de perda de investimentos e desaceleração do crescimento econômico local.
Com cerca de 200 indústrias interessadas em se instalar no PIM, a solução para a escassez de terras torna-se urgente. A expectativa é que, com a articulação entre órgãos municipais, estaduais e federais, seja possível destravar a expansão e garantir a continuidade do desenvolvimento industrial na região.
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