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Inventário de emissões no Amazonas aponta uso da terra e florestas como principais fontes de gases do efeito estufa

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Dados da Sema mostram que setor de uso da terra responde por 89% das emissões no estado; agropecuária concentra impactos no sul do Amazonas

A Secretaria de Estado do Meio Ambiente do Amazonas (Sema) apresentou, nesta terça-feira (12), um recorte do Inventário de emissões no Amazonas voltado ao setor agropecuário durante a 7ª Reunião Ordinária do Grupo Gestor Estadual do Amazonas (GGE/AM) do Plano ABC+.

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O encontro foi realizado na Superintendência Federal de Agricultura e Pecuária do Estado do Amazonas (SFA/MAPA), na zona centro-sul de Manaus, dentro da programação do Seminário de Apresentação e Difusão do Plano Setorial para Adaptação à Mudança do Clima e Baixa Emissão de Carbono na Agropecuária com Vistas ao Desenvolvimento Sustentável do Amazonas (Plano ABC+/AM).

De acordo com a Sema, os dados analisados abrangem o período de 2018 a 2023 e mostram um panorama das emissões de dióxido de carbono equivalente nos municípios amazonenses.

Foto: Divulgação/Sema

Segundo o assessor técnico e coordenador da Sala de Situação da Sema, Renato Trevisan, os dados de 2024 já foram levantados e devem ser incorporados em breve ao inventário preliminar.

“Esses dados foram adquiridos na base de 2018 a 2023. Já temos os dados para 2024, e iremos atualizar em breve no inventário preliminar. Aqui, basicamente, apresentamos a linha do tempo dos mapas, de 2018 a 2023, dos municípios que mais emitiram dióxido de carbono equivalente”, afirmou.

Uso da terra lidera emissões no Amazonas

Os dados apresentados indicam que as emissões relacionadas ao uso da terra, mudança do uso da terra e florestas (LULUCF) representam 89% das emissões líquidas do Amazonas.

Os municípios com maior volume de emissões são:

  • Lábrea
  • Apuí
  • Humaitá
  • Boca do Acre

Essas regiões concentram forte pressão sobre a cobertura florestal e apresentam avanço de atividades econômicas ligadas à ocupação do solo.

Agropecuária representa 2,8% das emissões estaduais

O levantamento aponta que a agropecuária responde por 2,8% das emissões estaduais de gases de efeito estufa, com maior concentração no sul do estado.

Entre as principais fontes de emissão no setor estão:

  • fermentação entérica de bovinos
  • manejo de dejetos animais
  • uso de solos agrícolas

A pesquisa também identificou que a expansão do rebanho bovino ocorre paralelamente ao avanço sobre áreas de floresta.

A pecuária de corte é responsável por cerca de 80% das emissões da atividade pecuária no Amazonas, seguida pela produção leiteira e pela bubalinocultura.

Renato Trevisan destacou que o uso de dados técnicos é fundamental para o desenvolvimento de políticas públicas mais eficientes.

“Construir políticas públicas eficientes exige compreender a realidade do território com base em dados técnicos e evidências. Esse trabalho de integração de dados permite planejamento, qualifica a tomada de decisão e faz o Amazonas avançar em estratégias alinhadas à produção sustentável e à conservação ambiental”, disse.

Setores de energia e resíduos também contribuem para emissões

Além da agropecuária e do uso da terra, o inventário também apresentou dados de outros setores.

O setor de energia representa 6,5% das emissões estaduais, impulsionado principalmente pela geração termelétrica a diesel e pelo transporte rodoviário concentrado na Região Metropolitana de Manaus.

Já o setor de resíduos responde por 1,5% das emissões, relacionadas à decomposição de resíduos sólidos urbanos e ao tratamento de efluentes domésticos.

Plano ABC+ prevê produção sustentável e recuperação de áreas degradadas

Durante o seminário, também foram debatidas ações previstas no Plano ABC+/AM para reduzir emissões e ampliar práticas sustentáveis no estado.

Entre as medidas previstas estão:

  • recuperação de áreas degradadas
  • ampliação da assistência técnica
  • incentivo a tecnologias de baixa emissão de carbono
  • fortalecimento de práticas produtivas adaptadas ao clima amazônico

O secretário estadual do Meio Ambiente, Eduardo Taveira, afirmou que o plano busca equilibrar desenvolvimento rural e preservação ambiental.

“O Plano ABC+ cria o caminho para o Amazonas avançar em estratégias que conciliem produção rural, conservação da floresta e adaptação climática ao incentivar práticas produtivas mais sustentáveis e alinhadas à realidade ambiental do estado”, declarou.

O seminário reuniu gestores públicos, técnicos de assistência técnica e extensão rural, produtores rurais e agricultores familiares para discutir metas e estratégias do plano.

Inventário inédito foi lançado durante a COP30

O Inventário Preliminar de Emissões Atmosféricas é considerado um diagnóstico inédito sobre gases de efeito estufa no estado e foi lançado durante a COP30.

O estudo fortalece a Política Estadual de Emissões e Mudanças Climáticas (PEMC) e mede as emissões de dióxido de carbono (CO₂), metano (CH₄) e óxido nitroso (N₂O) em todo o território amazonense.

O objetivo é permitir maior precisão no planejamento de ações de controle, prevenção e mitigação das mudanças climáticas no Amazonas.

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