Relatório da ONU confirma que os últimos 11 anos foram os mais quentes já registrados no planeta.
Um novo relatório da Organização Meteorológica Mundial (OMM) revela que a crise climática atingiu níveis sem precedentes, com impactos que podem se estender por séculos ou até milênios. O documento, divulgado em março, destaca que os últimos 11 anos foram os mais quentes já registrados, reforçando o avanço do desequilíbrio climático global.
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Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), a crescente dependência de combustíveis fósseis é um dos principais fatores por trás desse cenário. O secretário-geral da entidade, António Guterres, afirmou que “cada indicador climático essencial está piscando em vermelho”, classificando o momento como um “chamado à ação” para governos e sociedade.
Eventos extremos e aquecimento global em alta
O relatório mostra que o período entre 2015 e 2025 consolidou-se como a década mais quente da história. Em 2025, a temperatura média global ficou cerca de 1,43 °C acima dos níveis pré-industriais, ligeiramente abaixo do recorde de 2024 (1,55 °C), devido à influência temporária do fenômeno La Niña.
Mesmo assim, os impactos foram severos. O ano foi marcado por enchentes, incêndios florestais, secas e ciclones tropicais que causaram milhares de mortes e bilhões de dólares em prejuízos. Incêndios na Califórnia, por exemplo, geraram danos superiores a US$ 60 bilhões.
Além disso, a concentração de dióxido de carbono (CO₂) na atmosfera atingiu níveis recordes em 2024, os mais altos em pelo menos 2 milhões de anos, e continuou aumentando em 2025.
Crise climática e segurança global
A crise climática também está diretamente ligada à instabilidade global. De acordo com o relatório, fenômenos como fome, escassez de água e migração forçada estão se intensificando. Na última década, cerca de 250 milhões de pessoas foram deslocadas por desastres relacionados ao clima.
O documento ainda aponta impactos na saúde, com destaque para o aumento de doenças como a dengue, além da exposição de cerca de 1,2 bilhão de trabalhadores a condições de calor extremo todos os anos.
Guterres destacou que a dependência de combustíveis fósseis não apenas agrava a crise climática, mas também compromete a segurança global, incluindo o papel das atividades militares no aumento das emissões.
Desequilíbrio energético da Terra bate recorde
Um dos dados inéditos do relatório é o registro do maior desequilíbrio energético da Terra já observado. Esse indicador mede a diferença entre a energia que o planeta recebe do Sol e a que é devolvida ao espaço.
Atualmente, mais energia entra do que sai, devido ao efeito dos gases de efeito estufa, que funcionam como uma espécie de “cobertor térmico”. Cerca de 91% desse calor extra é absorvido pelos oceanos, enquanto o restante aquece a terra, o gelo e a atmosfera.
Segundo a secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, as atividades humanas estão alterando profundamente esse equilíbrio natural, com consequências de longo prazo.
Oceanos aquecem e impactos são irreversíveis
Os oceanos continuam sendo os principais reguladores do clima, mas também estão sob forte pressão. O aquecimento oceânico atingiu recorde pelo nono ano consecutivo em 2025, com 90% da superfície marítima enfrentando ondas de calor.
Esse processo já é considerado irreversível em escalas de tempo de séculos. Mesmo que as emissões sejam reduzidas imediatamente, o aquecimento dos oceanos deve continuar ao longo deste século.
Os impactos incluem o branqueamento de corais, redução de estoques pesqueiros e maior intensidade de tempestades. Além disso, o derretimento de geleiras e do gelo polar contribui para a elevação do nível do mar, ameaçando cidades costeiras.
Atualmente, cerca de 3 bilhões de pessoas dependem dos oceanos como fonte de alimento, enquanto 2 bilhões dependem de geleiras para abastecimento de água.
Urgência por ação climática
Embora o relatório não apresente recomendações diretas de políticas públicas, ele reforça a necessidade de ações urgentes para reduzir emissões e acelerar a transição para energias renováveis.
A ONU também sugere o uso mais integrado de dados climáticos em áreas como saúde pública, permitindo respostas mais rápidas a eventos extremos.
Para a OMM, compreender o clima atual é essencial para proteger o futuro. Como concluiu Celeste Saulo, monitorar o presente significa garantir a sobrevivência das próximas gerações.
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