O mercado de trabalho no Amazonas apresentou uma dinâmica de recuperação acelerada durante o mês de março de 2026. Segundo os dados mais recentes do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), a economia estadual gerou 2.076 novos postos formais de trabalho no período. O número representa um salto de 95,3% em comparação ao mesmo mês do ano anterior, quando o saldo foi de 1.063 vagas.
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Apesar do desempenho mensal positivo, o cenário para o primeiro trimestre de 2026 ainda reflete desafios estruturais e econômicos. No acumulado de janeiro a março, o estado registrou a criação de 5.822 vínculos formais, o que indica uma retração de 17,5% em relação ao primeiro trimestre de 2025, período em que foram gerados 7.058 empregos.
Cenário nacional e o impacto do calendário econômico
O comportamento dos empregos no Amazonas acompanhou, em certa medida, a tendência observada em todo o território brasileiro. O Brasil encerrou o mês de março com um saldo de 228.208 novos postos de trabalho. Comparado ao mesmo mês de 2025, que teve um saldo de 79.994 vagas, o crescimento nacional atingiu a marca de 185,3%.
O Ministério do Trabalho e Emprego aponta que o calendário festivo influenciou diretamente esses índices. De acordo com o ministro Luiz Marinho, o deslocamento do Carnaval para o mês de fevereiro fez com que muitas contratações que normalmente ocorreriam antes fossem postergadas para março. Por esse motivo, o governo federal defende que a análise trimestral oferece uma visão mais fidedigna da realidade do mercado de trabalho, mitigando flutuações sazonais.
No acumulado dos últimos 12 meses, o país registra 1.211.455 novos vínculos, elevando o estoque total de trabalhadores formais para mais de 49 milhões. No entanto, esse acumulado anual é 25,56% inferior ao registrado no ciclo anterior.
Setores que impulsionaram os empregos no Amazonas e no Brasil
A análise por agrupamentos de atividades econômicas revela que o setor de Serviços continua sendo o principal motor da empregabilidade, com a criação de 152.391 vagas em março. Outros setores que contribuíram positivamente para o saldo nacional e regional foram a Construção, a Indústria e o Comércio.
Em contrapartida, a Agropecuária foi o único setor a apresentar saldo negativo no mês, com o fechamento de 18.096 postos. Regionalmente, enquanto o Amazonas e estados como São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro tiveram saldos positivos, Alagoas, Mato Grosso e Sergipe enfrentaram dificuldades, encerrando o mês com índices negativos de contratação.
O ministro Marinho atribuiu o ritmo global de crescimento, que se mostra mais lento no acumulado do ano, à manutenção de taxas de juros elevadas, o que impacta o custo de capital e os investimentos produtivos das empresas.
Evolução salarial e rendimento médio de admissão
Outro dado relevante apresentado pelo Caged diz respeito ao rendimento dos trabalhadores. O salário médio real de admissão em março de 2026 foi calculado em R$ 2.350,83. O valor apresenta uma leve redução de R$ 17,50 em relação ao mês de fevereiro deste ano.
Contudo, ao comparar com março de 2025, nota-se um ganho real para o trabalhador. Na base com ajuste inflacionário, houve um aumento de R$ 41,80 no salário médio de entrada no mercado de trabalho em relação aos R$ 2.309,03 registrados um ano antes. O equilíbrio entre o volume de vagas e a manutenção do poder de compra segue como um dos pontos de atenção para os gestores públicos e analistas econômicos nos próximos meses.
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