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Acordo Mercosul-UE inicia redução de tarifas e muda comércio no Brasil

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A entrada em vigor do Acordo Mercosul-UE nesta sexta-feira, 1º de maio, marca o início de uma transformação profunda nas relações comerciais entre os dois blocos. Após 25 anos de negociações, o tratado começa a operar de forma provisória, permitindo que milhares de produtos tenham suas alíquotas de importação zeradas ou reduzidas gradualmente. A medida abrange a vasta maioria das trocas comerciais, com a expectativa de integrar cadeias produtivas e facilitar o acesso a mercados para empresas brasileiras e europeias.

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A União Europeia consolida sua posição como o segundo maior parceiro comercial do Brasil, atrás apenas da China. Com um fluxo de bens que atingiu a marca de 100 bilhões de dólares em 2025, a implementação das novas regras visa equilibrar o comércio e impulsionar a produtividade local. Embora os prazos de transição sejam longos, variando entre 12 e 15 anos para a maioria dos setores, os impactos práticos já começam a ser sentidos por consumidores e industriais.

Benefícios imediatos para o consumidor brasileiro

Diferente de setores complexos que exigem adaptações lentas, o Acordo Mercosul-UE traz isenções imediatas para diversos itens de consumo. A partir desta semana, o imposto de importação será zerado para produtos específicos, como vinhos brancos europeus, kiwis da Grécia e Itália, além de ferramentas manuais e equipamentos eletrônicos, incluindo impressoras e amplificadores de som.

Para outros itens sensíveis, como chocolates, queijos e bebidas destiladas, o cronograma de redução é escalonado. No caso dos queijos, que atualmente enfrentam tarifas de até 28%, a isenção total ocorrerá em dez anos, respeitando uma cota anual de 30 mil toneladas. Essa abertura não beneficia apenas quem compra o produto final, mas também as indústrias nacionais que utilizam máquinas e insumos europeus, reduzindo custos de produção e aumentando a competitividade do mercado brasileiro.

Prazos diferenciados para o setor automotivo

Se por um lado o acesso a alimentos e tecnologia fica mais ágil, o mercado de veículos terá uma transição muito mais cautelosa. Atendendo às pressões das montadoras instaladas no Mercosul, o acordo prevê que as tarifas de 35% para carros a combustão permaneçam inalteradas até o final de 2032. A redução começará apenas em 2033, com previsão de zerar o imposto somente em 2040. Para modelos elétricos e híbridos, o prazo é ainda mais extenso, concluindo-se em 2043.

Expansão das exportações e novas regras de rotulagem

Para o Brasil, o ganho imediato nas exportações se concentra no agronegócio e em produtos industrializados como compressores e bombas. Mais de 5 mil itens brasileiros agora possuem tarifa zero para entrar na Europa, representando 80% das vendas para o bloco. Setores como fruticultura, carnes e calçados devem apresentar crescimento acelerado, aproveitando a vantagem competitiva frente a países que não possuem tratados similares com a UE.

Outra mudança significativa ocorre nas prateleiras com a proteção de Indicações Geográficas. O acordo restringe o uso de nomes tradicionais vinculados a regiões específicas. Itens como espumantes tipo “Champanhe” ou queijos tipo “Feta” precisarão ter seus nomes alterados no Brasil se não forem produzidos em suas regiões de origem na Europa. Em contrapartida, produtos como a Cachaça brasileira ganham proteção exclusiva, impedindo que fabricantes europeus utilizem a denominação indevidamente.

Perspectivas de investimento e desafios jurídicos

Apesar da implementação provisória, o futuro do pacto ainda depende de avaliações jurídicas e políticas na Europa. O Tribunal de Justiça da União Europeia analisa se o texto é compatível com as legislações vigentes, um processo que pode levar até dois anos. Além disso, questões internas do Mercosul, como a divisão de cotas de carne bovina entre Brasil e Paraguai, permanecem em debate. Especialistas apontam que, além do comércio, o sucesso do acordo dependerá da capacidade do Brasil em atrair investimentos estrangeiros diretos, fortalecendo a economia nacional em um cenário global cada vez mais protecionista.

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