Estado está entre os dez com maior número de casos no Brasil; ameaças envolvem grilagem, garimpo ilegal e exploração de madeira.
O Amazonas contabilizou 116 pessoas incluídas no Programa de Proteção a Defensores de Direitos Humanos, Comunicadores e Ambientalistas (PPDDH) em 2025, segundo levantamento divulgado nesta quinta-feira (30). O número coloca o estado entre os dez com maior quantidade de pessoas protegidas no país e evidencia o cenário de risco enfrentado por quem denuncia crimes ambientais na região.
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De acordo com o relatório, as ameaças registradas no Amazonas estão diretamente relacionadas a denúncias envolvendo grilagem de terras, exploração ilegal de madeira, avanço do garimpo e outras práticas que impactam áreas de floresta e territórios indígenas.
A Região Norte lidera o número de pessoas inseridas no programa de proteção em todo o Brasil, com 540 casos registrados. O dado reforça a vulnerabilidade de defensores ambientais que atuam em estados amazônicos, onde há disputas por recursos naturais e conflitos fundiários.
Amazonas aparece entre estados com mais pessoas protegidas
No ranking nacional de estados com maior número de pessoas incluídas no programa em 2025, o Amazonas ocupa a sexta posição.
Confira os estados com mais registros:
- Pará – 186 pessoas protegidas
- Maranhão – 147
- Bahia – 140
- Minas Gerais – 125
- Ceará – 117
- Amazonas – 116
Segundo o PPDDH, muitos dos casos estão ligados à atuação de lideranças comunitárias, indígenas, ambientalistas e comunicadores que denunciam irregularidades em áreas de preservação ambiental e territórios tradicionais.
Essas denúncias, conforme o levantamento, acabam tornando essas pessoas alvo de ameaças feitas por grupos econômicos e organizações criminosas envolvidas na exploração ilegal de recursos naturais.
Crimes ambientais e conflitos fundiários estão entre principais ameaças
O relatório aponta que os principais fatores de risco enfrentados pelos defensores no Amazonas estão relacionados a conflitos territoriais e atividades ilegais na floresta.
Entre as principais ameaças identificadas estão:
- Grilagem de terras e conflitos fundiários em áreas de floresta
- Pressões sobre terras indígenas e comunidades tradicionais
- Denúncias contra garimpo ilegal
- Pesca predatória
- Desmatamento ilegal
O levantamento destaca que o Amazonas está entre os estados mais críticos do país quando o assunto é proteção de defensores de direitos humanos e ambientais, especialmente em regiões mais isoladas da floresta.
Indígenas representam maioria entre pessoas protegidas
O estudo também apresenta o perfil das pessoas atendidas pelo programa em todo o país, com destaque para povos indígenas e comunidades tradicionais.
Do total de pessoas protegidas:
- 58,51% são indígenas
- 29,53% são quilombolas
- 10,59% são extrativistas
- 1,37% pertencem a outras comunidades tradicionais
Em relação ao gênero:
- 39,96% são mulheres
- 60,04% são homens
Os dados mostram que os grupos mais impactados pelos conflitos ambientais são justamente aqueles que vivem diretamente dos recursos naturais e atuam na defesa de seus territórios.
Como funciona o programa de proteção
O Programa de Proteção a Defensores de Direitos Humanos, Comunicadores e Ambientalistas atua com medidas de segurança proporcionais ao nível de risco enfrentado por cada pessoa incluída.
Entre as ações adotadas estão:
- Rondas de segurança
- Escoltas pontuais
- Fornecimento de equipamentos de proteção
- Apoio jurídico
- Atendimento psicossocial
O objetivo é garantir proteção para pessoas ameaçadas por sua atuação em defesa dos direitos humanos, da preservação ambiental e dos territórios tradicionais.
O levantamento reforça o avanço dos conflitos ambientais no Amazonas e revela os desafios enfrentados por quem denuncia crimes ambientais em uma das regiões mais estratégicas para a preservação da floresta amazônica.
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