A Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira (7/5), a quinta fase da Operação Compliance Zero, que apura um complexo esquema de corrupção e crimes financeiros. Sob a relatoria do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), a nova etapa da investigação lançou luz sobre a dimensão patrimonial e o estilo de vida de alto padrão dos envolvidos no Caso Master. A decisão judicial autorizou prisões temporárias, mandados de busca e apreensão e medidas de bloqueio de bens que buscam desarticular a estrutura ligada ao Banco Master e ao núcleo empresarial do banqueiro Daniel Vorcaro.
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A estrutura financeira e o bloqueio de ativos
De acordo com os documentos analisados pelo STF, o esquema investigado movimentou montantes que ultrapassam a casa dos milhões, utilizando-se de estratégias sofisticadas para a ocultação de recursos. Entre as medidas determinadas pelo ministro Mendonça, destaca-se o bloqueio judicial de R$ 18,85 milhões. Essa retenção de bens e valores visa garantir que eventuais prejuízos ao erário ou ao Sistema Financeiro Nacional possam ser ressarcidos no futuro, além de impedir que os investigados dissipem o patrimônio durante o processo.
A investigação aponta que empresas como a BRGD Participações, a Green Energia FIP e a Green Investimentos S.A. eram peças centrais na engrenagem de circulação financeira. A Polícia Federal sustenta que tais organizações eram utilizadas para realizar reorganizações societárias e ocultação patrimonial, apresentando, muitas vezes, uma discrepância acentuada entre o faturamento declarado e a estrutura operacional mínima existente.
Gastos de luxo e o uso de aeronaves
Um dos pontos que mais chamou a atenção dos investigadores foi a utilização de recursos em despesas pessoais consideradas incompatíveis com as atividades econômicas formais declaradas. O monitoramento identificou hospedagens de alto custo no hotel Park Hyatt New York, além de jantares em restaurantes de padrão internacional e constantes viagens ao exterior.
Dentro desse contexto de ostentação, o helicóptero de prefixo PS-MAS tornou-se um símbolo das investigações sobre o Caso Master. Adquirido por aproximadamente R$ 16,4 milhões por uma empresa de táxi aéreo na qual Daniel Vorcaro deteve participação societária até o final de 2025, a aeronave é citada em diversos registros de voos coletados pela PF. Para os investigadores, o uso desses ativos reforça os indícios de que o fluxo de capital ilícito sustentava um padrão de vida luxuoso fora do alcance dos órgãos de controle.
Transações sob suspeita e indícios de irregularidades
A decisão do STF também detalha operações envolvendo a CNLF Empreendimentos Imobiliários Ltda., ligada ao irmão do senador Ciro Nogueira. Um dos episódios centrais é a compra de participação na Green Investimentos S.A. por cerca de R$ 13 milhões, valor que a PF classifica como subfaturado em relação ao preço de mercado das ações. Além disso, as interceptações revelaram o que os agentes chamam de “parceria BRGD/CNLF”, que consistia em repasses mensais recorrentes de aproximadamente R$ 500 mil.
Os indícios levantados pela Operação Compliance Zero sugerem a existência de contratos paralelos, depósitos fracionados e a circulação de vultosas quantias em dinheiro vivo. Essas táticas são comumente associadas à lavagem de dinheiro, dificultando o rastreio por parte do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Com a deflagração desta quinta fase, o judiciário busca agora consolidar as provas de organização criminosa e crimes contra o sistema financeiro nacional.
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