Henrique Vorcaro, fundador do Grupo Multipar e pai do banqueiro Daniel Vorcaro, foi preso em Belo Horizonte nesta quinta-feira (14). Investigação da Polícia Federal apura supostas fraudes no sistema financeiro, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
A Polícia Federal prendeu, na manhã desta quinta-feira (14), Henrique Vorcaro, pai do banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. A prisão ocorreu em Belo Horizonte, por determinação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso envolvendo o Banco Master.
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A ação integra uma nova fase da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes contra o Sistema Financeiro Nacional. Segundo a Polícia Federal, o esquema apurado envolve a emissão e negociação de títulos de crédito supostamente falsos por instituições financeiras.
Quem é Henrique Vorcaro e qual a ligação com o caso Banco Master
Henrique Vorcaro é empresário mineiro do setor de infraestrutura e construção pesada e fundador do Grupo Multipar, conglomerado com atuação nas áreas de engenharia, energia, agronegócio e mercado imobiliário.
De acordo com investigadores, ele seria parte da estrutura montada em torno do Banco Master e teria atuado sob orientação do filho, Daniel Vorcaro. A apuração busca esclarecer a participação de familiares e pessoas próximas ao banqueiro no suposto esquema financeiro.
Operação Compliance Zero investiga carteiras de crédito sem lastro
A Operação Compliance Zero teve início em novembro de 2025, após suspeitas relacionadas à fabricação de carteiras de crédito sem lastro. Conforme a investigação, esses ativos teriam sido vendidos a outra instituição financeira e, após fiscalização do Banco Central, substituídos por outros títulos sem avaliação técnica adequada.
A Polícia Federal apura se essas operações foram utilizadas para inflar artificialmente balanços financeiros e gerar liquidez por meio de ativos considerados irregulares.
Relação entre Banco Master e BRB está no centro das investigações
O foco inicial da investigação está em transações entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB). Segundo a PF, o Master teria criado carteiras de crédito fictícias para inflar balanços e gerar liquidez artificial.
Esses ativos teriam sido posteriormente vendidos ao BRB e substituídos após fiscalização do Banco Central. O caso segue sob apuração para verificar a legalidade das operações realizadas entre as instituições.
Fases anteriores tiveram prisões e bloqueios bilionários
Nas etapas anteriores da operação, a Justiça já havia autorizado prisões preventivas, mandados de busca e apreensão e bloqueios bilionários de bens.
Em março deste ano, a Polícia Federal cumpriu quatro mandados de prisão preventiva e 15 mandados de busca e apreensão em São Paulo e Minas Gerais. Na ocasião, também foi determinado o bloqueio de até R$ 22 bilhões em bens, com o objetivo de impedir movimentações de ativos ligados aos investigados.
Além disso, a investigação passou a apurar um núcleo suspeito de atuar em vigilância e intimidação ligado a Daniel Vorcaro. Segundo a PF, esse grupo pode ter cometido crimes de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos.
Núcleo político também entrou na mira da PF
Na semana passada, a quinta fase da Operação Compliance Zero avançou sobre um núcleo político do caso.
A Polícia Federal cumpriu dez mandados de busca e apreensão e um mandado de prisão temporária nos estados do Piauí, São Paulo, Minas Gerais e no Distrito Federal. Também foi autorizado o bloqueio de R$ 18,85 milhões em bens e valores.
Segundo decisão do STF, essa etapa investiga a suposta atuação do senador Ciro Nogueira em favor de Daniel Vorcaro em troca de vantagens indevidas.
O ministro André Mendonça também determinou a prisão temporária de Felipe Cançado Vorcaro, primo do banqueiro, por cinco dias, além de aplicar medidas cautelares a outros investigados.
Movimentações financeiras suspeitas ultrapassam R$ 1 bilhão
A nova fase da operação amplia o alcance das investigações sobre familiares e pessoas próximas a Daniel Vorcaro.
Henrique Vorcaro também aparece em movimentações financeiras consideradas suspeitas envolvendo o Grupo Multipar. Relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) aponta movimentação superior a R$ 1 bilhão entre 2020 e 2025 em contas ligadas ao entorno do ex-dono do Banco Master.
O caso segue em investigação pela Polícia Federal e pelo Supremo Tribunal Federal. Até o momento, as defesas dos citados não haviam se manifestado publicamente sobre as acusações.
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