O governo do Reino Unido oficializou o repasse de 80 milhões de libras esterlinas ao Fundo Amazônia, o que equivale a aproximadamente R$ 500 milhões na cotação atual. Com a conclusão desse aporte, o país europeu assumiu o posto de segundo maior financiador do principal mecanismo internacional voltado para a conservação e o combate ao desmatamento na floresta tropical.
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A confirmação do investimento ocorreu após o desembolso de uma segunda parcela no valor de 40,7 milhões de libras, cerca de R$ 270 milhões. O montante inicial havia sido transferido previamente em 2024. Com o cumprimento integral do compromisso, os britânicos ficam posicionados atrás apenas da Noruega, que se mantém como a principal parceira e fundadora da iniciativa ambiental desde 2008.
O incentivo financeiro do Reino Unido foi anunciado originalmente durante a COP28, realizada em Dubai no final de 2023. O movimento refletiu a retomada do interesse de nações estrangeiras na agenda de preservação ambiental brasileira e na contenção das mudanças climáticas globais.
O histórico e a retomada dos recursos internacionais
Criado com o objetivo de captar doações destinadas à redução da degradação florestal, o mecanismo de captação operou com severas restrições entre os anos de 2019 e 2022. O período foi marcado por divergências diplomáticas e operacionais entre a gestão federal brasileira da época e os países doadores originais, o que resultou na paralisação temporária das atividades.
A governança do fundo foi restabelecida em 2023, momento em que nações tradicionais como Noruega e Alemanha reativaram os repasses financeiros. A reestruturação da política ambiental atraiu novos parceiros internacionais. Desde então, além dos britânicos, governos dos Estados Unidos, Japão, Suíça, Dinamarca, Irlanda e a própria União Europeia formalizaram intenções e repasses de capital para o projeto de conservação.
Atualmente, de acordo com os relatórios oficiais do programa, a iniciativa conta com recursos contratados provenientes de dez fontes financiadoras diferentes, englobando tanto administrações estatais externas quanto a estatal brasileira Petrobras.
Mecanismo de funcionamento e aplicação dos recursos do Fundo Amazônia
O modelo de captação é estruturado com base em resultados comprovados. Isso significa que as contribuições financeiras internacionais são condicionadas à apresentação de dados auditados que atestem a redução efetiva no desmatamento e, consequentemente, a diminuição da emissão de gases de efeito estufa na atmosfera.
A gestão administrativa das verbas fica sob a responsabilidade do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A instituição financeira direciona o capital para projetos estruturados em áreas consideradas estratégicas pelas diretrizes do comitê orientador.
As frentes de atuação prioritárias incluem fiscalização ambiental, monitoramento de biomas por satélite, proteção e vigilância de terras indígenas, regularização fundiária de áreas públicas, recuperação de áreas degradadas e o fomento a atividades econômicas sustentáveis baseadas na bioeconomia regional. Desde a sua criação, o mecanismo acumulou cerca de R$ 5 bilhões em recursos e prestou apoio financeiro a mais de 140 projetos na Amazônia Legal.
Cenário diplomático e preparações para a COP30
A consolidação do apoio financeiro por parte de potências globais coincide com os relatórios que apontam recuo nos índices de perda da cobertura vegetal na região nos últimos anos. Especialistas em relações internacionais ressaltam que o dispositivo de financiamento adquiriu relevância que ultrapassa a esfera ecológica, consolidando-se como uma importante ferramenta diplomática para o Brasil.
A floresta é vista por centros de pesquisa globais como um elemento indispensável para o cumprimento das metas estabelecidas no Acordo de Paris. O fortalecimento dessa cooperação ocorre em um momento estratégico para a diplomacia brasileira, que busca consolidar sua liderança nas negociações climáticas e se prepara para sediar a COP30 na cidade de Belém.
Embora o crescimento do número de apoiadores seja interpretado como uma recuperação da credibilidade internacional na governança ambiental do país, cientistas e organizações do terceiro setor ponderam que a escala dos investimentos atuais ainda é modesta diante da complexidade socioeconômica regional. O desafio permanente consiste em conciliar a vigilância florestal com a criação de alternativas de renda viáveis para a população local.
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