Investigação aponta que Mariangela Fialek, conhecida como Tuca, teria atuado na indicação de recursos públicos em favor do ex-presidente da Câmara, que não exerce mandato
A investigação sobre emendas a Eduardo Cunha ganhou um novo capítulo após a Polícia Federal afirmar que uma servidora da Câmara dos Deputados teria autorização da presidência da Casa para atuar no direcionamento dos recursos. A suspeita envolve Mariangela Fialek, conhecida como Tuca, e o atual presidente da Câmara, Hugo Motta.
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A informação consta de uma representação encaminhada ao ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal. De acordo com a PF, elementos reunidos durante a apuração indicariam que Tuca tinha permissão para trabalhar na indicação de emendas vinculadas aos interesses de Eduardo Cunha, mesmo sem que o ex-deputado exercesse qualquer mandato parlamentar.
No relatório, os investigadores afirmam que os indícios apontam para um possível aval da presidência da Câmara à atuação da servidora. A Polícia Federal também relaciona o caso às suspeitas envolvendo a distribuição de verbas públicas por meio do chamado orçamento secreto.
PF investiga emendas a Eduardo Cunha
Eduardo Cunha presidiu a Câmara dos Deputados entre 2015 e 2016. Ele renunciou à presidência da Casa pouco antes de ter o mandato cassado pelo plenário.
Segundo a investigação, mesmo afastado de cargos públicos, Cunha teria mantido influência sobre a definição do destino de recursos federais. A PF sustenta que o ex-deputado operava com poderes semelhantes ou até superiores aos de parlamentares eleitos na indicação das verbas.
Para os investigadores, o possível envolvimento de uma pessoa sem mandato no controle de emendas representaria um desvio da finalidade original desses recursos. As emendas parlamentares são instrumentos destinados a permitir que deputados e senadores direcionem parte do orçamento para obras, programas e serviços públicos.
A apuração está concentrada principalmente em emendas da Comissão de Saúde da Câmara. Os recursos investigados foram empenhados no fim de 2025, período em que Hugo Motta já ocupava a presidência da Casa. Até a publicação da reportagem que serviu de base para esta matéria, ele não havia se pronunciado sobre o caso.
Mensagens e planilhas estão entre as provas
Entre os elementos considerados na investigação estão mensagens de texto e diversas planilhas que teriam sido trocadas entre Eduardo Cunha e Mariangela Fialek.
Ao analisar o material, Flávio Dino afirmou que Cunha, embora não exercesse mandato, aparentemente teria atuado até período recente como responsável pelo redirecionamento de valores públicos.
De acordo com o ministro, parte dos recursos teria sido movimentada em benefício da anunciada candidatura do ex-presidente da Câmara a deputado federal por Minas Gerais. A Polícia Federal investiga de que maneira as verbas foram indicadas e qual teria sido a participação de cada pessoa citada.
As conclusões apresentadas até o momento fazem parte da investigação e ainda não representam uma condenação dos envolvidos.
Dino manda bloquear bens de Cunha
Diante dos indícios apresentados pela Polícia Federal, Flávio Dino determinou o bloqueio de até R$ 6,15 milhões em bens de Eduardo Cunha.
A decisão, assinada em 6 de julho, também suspendeu imediatamente a execução de despesas públicas relacionadas às emendas questionadas. A medida busca impedir a movimentação dos recursos enquanto as suspeitas são analisadas pelas autoridades.
O caso amplia o debate sobre os mecanismos de fiscalização e transparência na destinação das emendas parlamentares. A investigação deverá apurar se pessoas sem mandato tiveram influência sobre verbas públicas e se houve participação ou conhecimento de integrantes da direção da Câmara.
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