A pesquisa Nexus divulgada nesta segunda (24) registrou 80% dos eleitores com a decisão de voto tomada e sem intenção de mudar, contra 19% que ainda podem rever a escolha. É o maior patamar da série do instituto, iniciada em março com 69%. O levantamento foi a campo entre os dias 21 e 23 de agosto, os mesmos dias em que Lula, Flávio Bolsonaro e Romeu Zema deixaram vazias suas cadeiras no primeiro debate presidencial, na Band, ao qual compareceram Ronaldo Caiado, Renan Santos e Augusto Cury.
Entre quem declara voto em Lula, 88% dizem que não mudam mais, e em Flávio Bolsonaro são 86%. Quem foi ao debate carrega eleitorado móvel, com 51% de voto fechado em Caiado, 53% em Renan Santos e 30% em Cury. O debate acabou dividido pela necessidade eleitoral. Quem já não tem quase ninguém a convencer no próprio campo ficou fora, e quem precisa crescer subiu ao palco. A avaliação das duas campanhas, de que havia pouco a ganhar e muito a perder na largada, encontra respaldo nos números.
Todavia, a história mostra que ausência de um favorito ao debate já cobrou preço. Em 2006, também na liderança, Lula decidiu poucas horas antes não comparecer ao último debate do primeiro turno, na Globo, alegando risco de virar uma arena de agressões, e acabou no segundo turno contra Geraldo Alckmin.
Vinte anos depois, a trava recorde de 80% oferece a Lula uma proteção que ele não tinha então. Resta saber se a fatia de 19% que ainda pode mudar, concentrada nos eleitores não polarizados e nos que enxergam Lula ou Bolsonaro apenas como alternativa, será suficiente para separar uma vitória no primeiro turno de um novo segundo turno.


