Brasil está entre os três principais países em número de usuários do ChatGPT e aparece no top 5 em receita, enquanto operação empresarial avança e amplia parcerias locais
O Brasil está entre os cinco maiores mercados da OpenAI em geração de receita, segundo Oliver Jay, vice-presidente internacional de Estratégia e Operações da empresa. O país também mantém uma das maiores bases de usuários do ChatGPT no mundo, cenário que tem levado a companhia a ampliar sua atuação local.
“O Brasil está, definitivamente, no top 5”, afirmou Jay à imprensa brasileira. “A taxa de assinatura é bastante alta. É um mercado muito forte.”
A OpenAI, responsável pelo ChatGPT, registrou forte avanço no uso de suas ferramentas no país. O número de usuários brasileiros quase dobrou em relação a 2025, mantendo o Brasil entre os três maiores mercados em usuários, atrás apenas dos Estados Unidos e da Índia.
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O volume de mensagens também cresceu. Em novembro do ano passado, eram cerca de 140 milhões de mensagens diárias enviadas por brasileiros. Agora, o número está em torno de 215 milhões, uma alta de 53,57%.
OpenAI Brasil amplia atuação empresarial
O crescimento não está restrito ao uso individual. A divisão de enterprise da OpenAI no Brasil cresceu cinco vezes no último ano, impulsionada pela utilização de agentes de inteligência artificial.
Entre os desenvolvedores que utilizam a API da empresa, o Brasil aparece na segunda posição. O país também é o maior mercado do Codex, plataforma de criação de códigos da OpenAI, na América Latina.
Para Jay, uma das prioridades da companhia é aproximar a tecnologia das empresas brasileiras e oferecer suporte para que elas consigam aplicar os modelos de inteligência artificial em suas operações.
“Eu diria que onde estamos investindo muito é em parcerias com empresas, para que possamos pegar um pouco do nosso conhecimento, lições aprendidas e melhores práticas e levá-los para dentro dessas empresas”, afirmou.
O executivo também explicou que a presença local busca atender à demanda por implementação das ferramentas.
“Às vezes, as empresas precisam de uma ajuda, e é por isso que estamos construindo uma presença local aqui. Uma grande parte das equipes que estamos contratando são engenheiros de implementação, que ajudam as empresas a realmente extrair valor”, disse.
Entre as empresas citadas estão Itaú e Nubank. O Itaú utiliza o ChatGPT em toda a operação, enquanto o Nubank desenvolve um “private banker” digital movido por inteligência artificial para ampliar o acesso ao conhecimento sobre investimentos.
“Isso exige um nível muito mais alto de entendimento sobre como gerenciar esses modelos e aplicar os guardrails corretos. Essa é outra área em que estamos investindo muito para trazer essa expertise de implementação para o mercado”, afirmou. “Você verá que um número significativo de vagas que estamos abrindo aqui será para essa função.”
Parcerias ampliam presença da inteligência artificial
A estratégia brasileira também inclui iniciativas voltadas à formação e ao acesso às ferramentas da OpenAI. A empresa anunciou parcerias de letramento com instituições como o ITA, a Prodam, a USP, a Estímulo e a Enter, legaltech que se tornou o primeiro unicórnio de IA da América Latina.
Jason Kwon, Chief Strategy Officer da OpenAI, afirmou que a expansão seguirá uma estratégia adotada em outros mercados. A companhia mantém uma equipe local e pretende ampliar sua presença de maneira gradual.
“Tendemos a ser muito cautelosos e começar com uma equipe principal que recrutamos localmente para, a partir daí, crescer. Não estabelecemos metas específicas de número de funcionários ou algo do tipo”, disse.
A oferta gratuita do ChatGPT também é considerada parte importante desse processo de expansão. Segundo Kwon, a estratégia passa por fazer com que as pessoas conheçam os benefícios da tecnologia antes de avançar para outras formas de utilização e monetização.
“Isso é importante porque as pessoas precisam entender que a tecnologia vai beneficiá-las, mesmo que não estejam pagando por elas. A partir daí, começamos a pensar em assinaturas, anúncios e em como ajudar pequenos negócios, desenvolvedores e grandes empresas. Não é o caso de escolhermos ou favorecermos uma dessas vertentes, mas sim de que cada uma delas deve reforçar as outras”, afirmou.
OpenAI avalia processamento de dados no Brasil
A expansão da operação também ocorre em meio ao debate internacional sobre soberania digital e localização de dados. Kwon foi questionado sobre a possibilidade de utilização de infraestrutura local para o processamento das informações geradas pelos usuários brasileiros.
O contexto envolve a dependência de infraestrutura estrangeira para processamento de dados. Segundo o Ministério da Fazenda, 60% do consumo são processados fora do país, principalmente nos Estados Unidos.
Kwon afirmou que a OpenAI está aberta a conversas em diferentes regiões e que o volume de utilização local é um dos fatores considerados nas decisões sobre infraestrutura. O executivo, porém, não confirmou planos concretos para processamento no Brasil.
A expansão ocorre enquanto a OpenAI e a Anthropic, responsável pelo chatbot Claude, se preparam para realizar uma oferta inicial de ações (IPO) em Nova York. As duas empresas disputam clientes e receitas em uma corrida que exige grandes investimentos em capacidade computacional.
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