Encontro com Irã e Omã discutiria a reabertura da principal rota marítima de petróleo do mundo, enquanto novos ataques houthis elevam a tensão na região.
A possibilidade de reabertura do Estreito de Ormuz sofreu um novo revés nesta segunda-feira (14), após países árabes do Golfo Pérsico cancelarem uma reunião prevista com Irã e Omã. Ao mesmo tempo, os houthis do Iêmen voltaram a atacar a Arábia Saudita, ampliando as preocupações sobre o abastecimento global de petróleo.
📲Quer receber notícias direto no celular? Entre no nosso grupo no WhatsApp.
Praticamente fechado desde os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã no final de fevereiro, Ormuz é considerado a rota marítima mais importante do mundo para o transporte de petróleo. A reunião desta segunda buscaria discutir justamente a reabertura da passagem.
Durante a madrugada, o ministro das Relações Exteriores de Omã, Sayyid Badr Albusaidi, anunciou que o encontro havia sido adiado “em prol do consenso”. O Irã, por sua vez, afirmou que o adiamento ocorreu a pedido da Arábia Saudita.
Estreito de Ormuz enfrenta novo impasse
A tensão em torno da navegação também aumentou depois que o Irã divulgou uma lista com 77 navios que, segundo o país, teriam violado seus protocolos para operar no Estreito de Ormuz.
As embarcações incluídas na relação poderiam enfrentar “restrições em futuras passagens, incluindo multas, detenção ou confisco”. Navios que ajudassem essas embarcações por meio da aceitação de transferências de carga também poderiam ser acrescentados à lista.
O impasse diplomático ocorre enquanto outra importante rota para o transporte de petróleo enfrenta problemas. Uma ação danificou o oleoduto leste-oeste da Arábia Saudita, principal alternativa do país para escoar petróleo do Oriente Médio sem passar pelo Estreito de Ormuz.
Imagens de satélite mostram trechos da estrutura atingidos por incêndios.
Houthis voltam a atacar a Arábia Saudita
Os houthis, aliados do Irã, afirmaram ter lançado dezenas de mísseis e drones nesta segunda-feira contra uma base aérea militar saudita em Khamis Mushait, próxima à fronteira.
Segundo o grupo, hangares, sistemas de radar, pistas de decolagem e depósitos de munição foram atingidos. Os houthis classificaram a ação como uma retaliação às centenas de ofensivas aéreas sauditas contra o Iêmen realizadas nos últimos dias.
As autoridades da Arábia Saudita emitiram breves alertas de emergência na região e em outras três cidades do Sul que já haviam sido alvo de ataques do grupo.
Na sexta-feira (11), os houthis também tomaram uma ilha situada na foz do Mar Vermelho.
Petróleo sobe mais de 3%
O agravamento da tensão na região repercutiu no mercado de energia. Os preços do petróleo bruto avançaram mais de 3% nesta segunda-feira, na reabertura dos mercados após o fim de semana.
Nos Estados Unidos, o preço médio do diesel no varejo atingiu um novo recorde ao superar US$ 6,23 por galão.
Operadores do mercado financeiro afirmam que a interrupção do oleoduto saudita poderia retirar até 4% do abastecimento global de petróleo caso a estrutura não seja reaberta nos próximos dias.
A combinação entre o impasse sobre Ormuz, os novos ataques dos houthis e os danos à principal rota alternativa da Arábia Saudita aumenta a pressão sobre o transporte de petróleo do Oriente Médio e mantém a atenção voltada para os próximos movimentos diplomáticos e militares na região.
Leia mais:
Irã decide fechar Estreito de Ormuz após sofrer bombardeios dos EUA
Mísseis atingem navio de guerra dos EUA ao tentar entrar no Estreito de Ormuz
Impasse diplomático mantém tráfego em Ormuz paralisado e alerta mercado global
Siga nosso perfil no Instagram, Tiktok e curta nossa página no Facebook


