Visitação na Cachoeira Natal foi suspensa após alteração na água; ex-secretário suspeita do uso de máquinas pesadas na região
A água do Rio Urubu apresentou coloração turva na região da Cachoeira Natal, em Presidente Figueiredo, no interior do Amazonas, neste domingo (13). A alteração foi denunciada pelo gerente administrativo do Espaço Ecoturístico Natal Falls, Jones Oliveira, que classificou o caso como um possível crime ambiental. Diante da situação, a visitação de banhistas foi suspensa no local.
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A Cachoeira Natal fica no Ramal do Cuado, no km 7, na região do Urubuí, a cerca de 128 quilômetros de Manaus. O ponto turístico é conhecido pelas águas cristalinas e pela presença de peixes e outros animais.
Em um vídeo publicado nas redes sociais, Jones Oliveira aparece mostrando a mudança na coloração da água e manifesta preocupação com o impacto ambiental. A publicação ultrapassou 16 mil curtidas e mil comentários, com internautas cobrando uma investigação para identificar a origem da alteração.
“Isso aqui não é normal. Isso tem um criminoso, um criminoso que está fechando no meio desse rio e alterando a coloração da água.”
Segundo o gerente, a alteração obrigou a administração do espaço a impedir a entrada de visitantes que pretendiam tomar banho na cachoeira. Pessoas que já haviam chegado ao local tiveram o dinheiro devolvido.
Denúncia aponta possível crime ambiental no Rio Urubu
Jones afirmou que comunicou a situação ao órgão municipal de meio ambiente e solicitou o envio de uma equipe até a região para registrar a ocorrência e investigar a origem da água turva.
Ele também relatou que outras propriedades existentes ao longo do rio já teriam sido alvo de denúncias relacionadas a intervenções ambientais, como desmatamento das margens e retirada da vegetação ciliar.
“É um rio que passa por outras propriedades que vivem cometendo crimes ambientais. A primeira coisa que eles fazem é desmatar as margens dessas áreas, não respeitam a mata ciliar e agora estão sujando a água”, declarou.
Apesar das suspeitas levantadas, ainda não há confirmação oficial sobre a causa da alteração na água ou sobre eventual responsável.
Ex-secretário suspeita de uso de máquinas pesadas
O ex-secretário municipal de Meio Ambiente de Presidente Figueiredo, Luiz Augusto Schwade, afirmou que acompanha o caso mesmo após deixar o cargo. Segundo ele, a aparência da água pode estar relacionada ao uso de máquinas pesadas no leito do Rio Urubu.
“Pelo que vi no vídeo e como estamos no verão, tenho quase certeza que se trata de máquina pesada trabalhando no leito do Rio. A questão é subir o rio e encontrar a origem”, avaliou.
De acordo com Schwade, informações recebidas por ele indicam que a água da Cachoeira da Perema estaria limpa. Com isso, a suspeita é de que a alteração possa ter ocorrido em algum ponto entre as cachoeiras Natal e Perema, no próprio Rio Urubu ou em algum de seus afluentes.
Mineração é considerada hipótese menos provável
Questionado sobre a possibilidade de a alteração estar relacionada à mineração, o ex-secretário considerou a hipótese menos provável, embora não tenha descartado completamente essa possibilidade.
Na avaliação dele, uma hipótese mais provável seria a realização de alguma obra utilizando máquinas pesadas, possivelmente relacionada à instalação de um balneário na região.
Até o momento, porém, não foi identificada a origem da água turva e não há confirmação de que tenha ocorrido crime ambiental.
Cachoeira Natal permanece fechada para banhistas
A suspensão da visitação ocorreu neste domingo (13), como medida adotada pelo espaço de ecoturismo diante da alteração observada na água.
A reportagem que divulgou inicialmente o caso informou ter tentado contato com Jones Oliveira para obter mais detalhes sobre a denúncia e saber se uma equipe ambiental havia comparecido ao local, mas não recebeu retorno até a publicação.
O caso deverá ser esclarecido a partir de uma eventual vistoria e investigação dos órgãos ambientais responsáveis.
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