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El Niño pode atingir intensidade muito forte e agravar seca no Amazonas

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Fenômeno tem 95% de chance de alcançar nível muito forte entre outubro e dezembro; Amazonas está entre os estados com avanço das condições de seca

O El Niño pode atingir intensidade muito forte entre outubro e dezembro de 2026 e agravar as condições de seca e o risco de incêndios no Amazonas e em outras áreas do Norte do país. A projeção consta no novo boletim do Painel El Niño 2026-2027, divulgado por órgãos federais responsáveis pelo monitoramento climático.

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Segundo o documento, existe 95% de probabilidade de o fenômeno alcançar intensidade muito forte no trimestre de outubro, novembro e dezembro. O El Niño deve permanecer ativo pelo menos até o primeiro trimestre de 2027 e, caso a projeção se confirme, poderá ficar entre os episódios mais intensos registrados desde 1950.

As projeções apontam cenários distintos entre as regiões brasileiras. Enquanto o Centro-Norte deve enfrentar menos chuva, temperaturas elevadas e maior risco de fogo, o Sul deverá continuar com precipitações acima da média e possibilidade de cheias.

Os órgãos responsáveis ressaltam que as previsões indicam tendências para os próximos meses e que os impactos podem variar conforme as condições meteorológicas observadas em cada localidade.

Seca avança no Amazonas e em outros estados do Norte

Dados parciais de setembro do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) indicam um avanço significativo da seca no país.

O número de municípios brasileiros classificados em situação de seca extrema aumentou de quatro para 24 em apenas um mês. Já os municípios em condição de seca severa passaram de 153 para 197. Entre os estados onde houve maior avanço estão Amazonas, Bahia, Amapá, Alagoas e Sergipe.

Na Região Norte, o boletim destaca uma piora das condições principalmente no Amazonas, Acre e Roraima. A combinação entre redução das chuvas e temperaturas elevadas pode favorecer a perda de umidade do solo, afetar os recursos hídricos e aumentar o risco de incêndios florestais.

Em alguns municípios da região, já são registrados problemas relacionados à captação de água e à navegação em razão dos níveis mais baixos dos rios.

Calor e pouca chuva elevam risco de fogo

A previsão para o trimestre de outubro a dezembro reforça a preocupação com áreas do Centro-Norte do Brasil.

Com menos chuva e temperaturas acima da média, a vegetação tende a permanecer mais seca, aumentando as condições favoráveis à propagação do fogo.

O boletim aponta que o cenário exige atenção principalmente em áreas da Amazônia e de outras regiões que já apresentam déficits de precipitação. As temperaturas devem permanecer acima dos valores considerados normais em grande parte do país.

El Niño continua se fortalecendo no Pacífico

As condições características do El Niño foram confirmadas em junho de 2026 e o aquecimento das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial continuou aumentando nos meses seguintes.

No fim de setembro, as anomalias de temperatura da superfície do mar ultrapassaram 2 °C nas regiões central e leste do Pacífico Equatorial, de acordo com dados do Climate Prediction Center e da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos, CPC/NOAA.

Esse aquecimento modifica a circulação atmosférica e pode alterar os padrões de chuva e temperatura em diversas regiões do planeta.

No Brasil, episódios de El Niño são normalmente associados a condições mais quentes e secas em partes do Norte e Nordeste e ao aumento das chuvas no Sul. A intensidade e os efeitos, entretanto, podem variar entre diferentes episódios.

Sul permanece sob risco de novas cheias

Enquanto o Norte enfrenta perspectiva de intensificação da seca, a Região Sul apresenta situação oposta.

Chuvas volumosas registradas em setembro elevaram os níveis dos rios e provocaram inundações principalmente no Rio Grande do Sul, incluindo o Vale do Taquari e áreas próximas ao rio Caí, além de municípios de Santa Catarina.

O Serviço Geológico do Brasil já emitiu mais de 190 boletins de alerta hidrológico para a Região Sul ao longo de 2026.

Para outubro, novembro e dezembro, a previsão mantém indicação de chuva acima da média no Sul, em parte do Sudeste e no leste do Nordeste. Apesar disso, o risco de cheias no Sul tende a diminuir gradualmente até dezembro.

Boletim reúne sete instituições federais

O Boletim nº 4 do Painel El Niño 2026-2027 reúne dados produzidos pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), Cemaden, Serviço Geológico do Brasil (SGB), Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec) e Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam).

As instituições recomendam o acompanhamento contínuo das condições meteorológicas, hidrológicas e geológicas, além dos avisos e alertas divulgados pelos órgãos oficiais.

A Defesa Civil também mantém serviços de alerta para situações de risco, enquanto o Inmet publica avisos meteorológicos atualizados para diferentes regiões do país.

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