A incidência de câncer no Brasil deve atingir o patamar de 781 mil novos diagnósticos anuais no triênio entre 2026 e 2028. Os dados, revelados pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca) nesta quarta-feira, Dia Mundial do Câncer, acendem um alerta sobre a necessidade urgente de políticas públicas eficazes e de uma mudança profunda nos hábitos de vida da população. O levantamento aponta que, mesmo ao excluir os tumores de pele não melanoma, conhecidos pela alta frequência e baixa letalidade, o país ainda enfrentará cerca de 518 mil novos casos anualmente, evidenciando o impacto crescente da doença na sociedade brasileira.
📲Quer receber notícias direto no celular? Entre no nosso grupo no WhatsApp.
Este cenário de crescimento da enfermidade não é apenas uma estatística isolada, mas um reflexo de transformações demográficas e comportamentais. Com o envelhecimento da população e a prevalência de fatores de risco evitáveis, o Ministério da Saúde reforça que o diagnóstico precoce e a prevenção primária tornaram-se as ferramentas mais poderosas para reduzir a mortalidade e garantir a qualidade de vida dos pacientes.
Avanços regionais: Amazonas amplia rede de combate à doença
No cenário regional, o estado do Amazonas tem acompanhado o esforço nacional com investimentos significativos na modernização da rede oncológica. Sob a gestão do governador Wilson Lima, a ampliação da infraestrutura tem sido uma prioridade para conter a incidência de câncer no estado. Um dos marcos mais recentes é a inauguração do Centro Avançado de Prevenção ao Câncer do Colo do Útero do Amazonas (Cepcolu), em março de 2025. Anexa à Fundação Cecon (FCecon), a unidade é pioneira e foca exclusivamente na detecção e tratamento precoce, buscando reduzir os índices de uma das patologias mais comuns entre as amazonenses.
Além do Cepcolu, o governo estadual entregou novos leitos de quimioterapia infusional na FCecon e modernizou unidades de internação no Complexo Hospitalar Sul, vinculado ao Hospital 28 de Agosto. O fortalecimento da rede também alcança o público jovem através dos “Caic+Especialidades”, que agora oferecem consultas especializadas em diversas áreas. Complementando o cuidado integral, os Centros de Convivência da Família e do Idoso realizaram mais de 1,4 milhão de atendimentos em 2025, atuando como braços fundamentais na promoção da saúde e no suporte social à população.
Os tipos de tumores mais frequentes entre brasileiros
A análise detalhada pelo Inca permite identificar um perfil claro da incidência por gênero. Entre os homens, a próstata continua sendo o principal alvo de atenção, seguida pelos tumores de cólon e reto, pulmão, estômago e cavidade oral. Já entre as mulheres, o câncer de mama lidera as estatísticas, acompanhado pelo câncer colorretal, do colo do útero, pulmão e tireoide.
Um ponto de destaque no relatório é o câncer de pele não melanoma. Ele permanece como o tipo mais comum em ambos os sexos. Embora apresente bons índices de cura quando tratado rapidamente, sua alta prevalência reforça a importância de cuidados constantes com a exposição solar, especialmente em um país tropical como o Brasil.
A relação direta entre obesidade e novos diagnósticos
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou um fator crítico que tem impulsionado as estatísticas: a obesidade. Segundo dados recentes do sistema Vigitel, o número de pessoas obesas no país mais do que dobrou, o que possui uma correlação direta com diversos tipos de tumores malignos.
A estratégia do governo para mitigar o surgimento de novos casos passa obrigatoriamente pelo combate ao sedentarismo e pela melhoria da qualidade alimentar. Além da obesidade, o tabagismo continua sendo um dos maiores vilões, sendo responsável por uma parcela significativa das patologias pulmonares. A mensagem é clara: o controle de hábitos cotidianos é a primeira linha de defesa contra a doença.
Investimentos em tecnologia e acesso pelo SUS
Para enfrentar esse desafio, o programa “Agora Tem Especialistas”, lançado em 2025, busca descentralizar o atendimento e reduzir as filas para exames fundamentais. Um dos marcos anunciados é a universalização da radioterapia. Até o fim de 2026, todos os estados brasileiros contarão com centros de tratamento próprios, eliminando a necessidade de grandes deslocamentos de pacientes, como ainda ocorre em Roraima, o último estado a concluir essa etapa de infraestrutura.
O acesso à mamografia também foi ampliado no Sistema Único de Saúde (SUS). Agora, mulheres na faixa dos 40 aos 49 anos podem realizar o exame preventivo mesmo sem apresentar sintomas, e o limite de idade para o rastreamento foi estendido até os 74 anos. Em 2025, o sistema público realizou 3 milhões de exames, um passo vital para identificar o câncer de mama em estágios iniciais, onde as chances de cura superam os 90%.
Leia mais:
Alerta de pancreatite grave no uso de Ozempic e Mounjaro acende sinal amarelo
Fevereiro Laranja: Aleam alerta para a importância do diagnóstico precoce da leucemia
Saúde investe R$ 340 milhões no programa Viva Mais Brasil para combater diabetes e obesidade
Siga nosso perfil no Instagram, Tiktok e curta nossa página no Facebook

