A ministra Cármen Lúcia acompanhou o voto do relator Alexandre de Moraes e formou, nesta quinta-feira (11), a maioria pela condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro e de mais sete aliados na ação penal da chamada trama golpista.
Com o voto da ministra, o placar do julgamento na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) chegou a 3 votos a 1 pela condenação de todos os réus. Resta apenas o voto do ministro Cristiano Zanin, presidente do colegiado.
Nas sessões anteriores, Alexandre de Moraes e Flávio Dino já haviam votado pela condenação. Em sentido contrário, Luiz Fux absolveu Bolsonaro e mais cinco aliados, mantendo a condenação apenas de Mauro Cid e do general Braga Netto, pelo crime de abolição do Estado Democrático de Direito.
O tempo das penas será definido ao final dos votos, na fase de dosimetria, e pode chegar a 30 anos de prisão em regime fechado.
Voto de Cármen Lúcia
Em sua manifestação, Cármen Lúcia afirmou que o julgamento remete a rupturas institucionais vividas pelo Brasil.
“O que há de inédito nesta ação penal é que nela pulsa o Brasil que me dói. É quase um encontro do Brasil com seu passado, presente e futuro”, declarou.
A ministra também destacou que Bolsonaro e os demais réus não podem questionar a legitimidade da Lei 14.197/21, que definiu os crimes contra a democracia e serviu de base para a acusação da Procuradoria-Geral da República (PGR). A norma foi sancionada pelo próprio Bolsonaro e pelos réus Anderson Torres, Braga Netto e Augusto Heleno.
“Não é apenas legítima [a lei], como ainda não se pode dizer que se desconhecia que tentaram atentar contra a democracia. Quatro dos oito réus são exatamente os autores do autógrafo”, ressaltou.
Atos de 8 de janeiro
Cármen Lúcia classificou os atos golpistas de 8 de janeiro de 2023 como parte de um “conjunto de acontecimentos” contra a democracia.
“O 8 de janeiro não foi um acontecimento banal, depois de um almoço de domingo, quando as pessoas saíram a passear”, afirmou.
Provas da participação
A ministra também apontou a existência de “prova cabal” da participação de Bolsonaro e dos demais acusados em uma “empreitada criminosa”.
Segundo ela, a PGR demonstrou que o grupo liderado pelo ex-presidente, integrado por figuras-chave do governo, das Forças Armadas e de órgãos de inteligência, articulou e implementou um plano sistemático para atacar as instituições democráticas, minar o Poder Judiciário e impedir a alternância de poder após as eleições de 2022.
Resumo dos votos
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Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Cármen Lúcia: condenação de todos os réus pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado por violência e deterioração de patrimônio tombado.
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Luiz Fux: absolvição de Bolsonaro, Alexandre Ramagem, Augusto Heleno, Paulo Sérgio Nogueira, Anderson Torres e Almir Garnier. Condenação apenas de Mauro Cid e Braga Netto por abolição do Estado Democrático de Direito.
Com informações da Agência Brasil*
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