Durante sua participação na reunião da cúpula dos países da América do Sul, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a comentar sobre a possibilidade da criação de uma moeda comum entre os países sul-americanos. Esse foi um dos dez temas que Lula colocou em discussão durante o encontro.
“Enquanto estivermos desunidos, não faremos da América do Sul um continente desenvolvido em todo o seu potencial. A integração deve ser objetivo permanente de todos nós. Precisamos deixar raízes fortes para as próximas gerações”, afirmou o presidente do Brasil.
Como tudo começou
A proposta para unificar a moeda entre os países surgiu juntamente com o presidente argentino, Alberto Fernández. A moeda teria por objetivo reduzir os custos operacionais, sendo utilizada para os fluxos financeiros.
No entanto, esta moeda não pode ser comparada ao euro, por exemplo, pois ela serviria para facilitar as transações comerciais, não substituindo as moedas nacionais de cada país.
Afinal, o que é moeda comum?
Em termos comparativos, a “moeda comum” pode ser entendida como uma referência monetária, e não como o real e o peso, que circulam comercialmente. A partir dela, todas as negociações, como importações e exportações são padronizadas.
Com a sua implantação, os países sul-americanos não precisariam mais recorrer ao dólar, maior referência para operações financeiras do mundo.
Em artigo publicado para a Folha de S. Paulo, Fernando Haddad (antes de ser nomeado Ministro da Fazenda), e o economista Gabriel Galípolo, afirmam que a moeda comum é capaz de proteger a soberania frente às potências estrangeiras.
“A utilização do poder da moeda em âmbito internacional renova o debate sobre sua relação com a soberania e a capacidade de autodeterminação dos povos, em especial para países com moedas consideradas não conversíveis. Por não serem aceitas como meio de pagamento e reserva de valor no mercado internacional, seus gestores estão mais sujeitos às limitações impostas pela volatilidade do mercado financeiro internacional “, ressaltam.
O real vai acabar?
A proposta da moeda comum não extingue o real. A princípio, a moeda será batizada como “sur” e estará apenas de maneira digital, atuando nas negociações comerciais e financeiras.
Especialistas afirmam que os maiores benefícios estariam atrelados ao potencial produtivo dos países sul-americanos. Cabe ressaltar que a inflação e potencial de compra de muitos desses países encontra-se em estado de alerta, como é o caso da própria Argentina.
De acordo com o Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec) a inflação argentina está acumulada em 12 meses a 108,8% e os salários perdem poder de compra. Portanto, a sugestão busca reduzir os impasses burocráticos entre os países, viabilizando o comércio entre sul-americanos.
Próximos Passos
Atualmente, ainda não há formalização para a implantação da moeda, no entanto estudos técnicos estão sendo realizados pelo Brasil e Argentina a fim de averiguar a complexidade da aplicação.
A discussão sobre a moeda comum permeia desde a década de 80, retornando à tona no governo de Jair Bolsonaro e mantida pela atual presidência.
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