O cenário socioeconômico das grandes cidades brasileiras apresenta transformações importantes. Entre 2021 e 2025, mais de 10 milhões de pessoas deixaram a condição de vulnerabilidade social nos grandes centros urbanos do país. Os dados constam no boletim Desigualdade nas Metrópoles, produzido em parceria pelo Observatório das Metrópoles, pela Rede de Observatórios da Dívida Social na América Latina (RedODSAL) e pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS). O estudo, que monitora a pobreza metropolitana com base em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revela que a taxa média de vulnerabilidade em 22 metrópoles nacionais atingiu 18,4% em 2025, estabelecendo o menor patamar da série histórica iniciada em 2012.
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Retração dos indicadores de vulnerabilidade em Manaus
A Região Metropolitana de Manaus destacou-se no levantamento ao registrar recuos expressivos nos índices de privação financeira. A proporção de habitantes em situação de extrema pobreza, caracterizada por rendimentos diários de até US$ 2,15, encolheu de 6,3% para 3,7% entre os anos de 2022 e 2025.
No mesmo período, a parcela da população classificada na faixa de pobreza, com rendimentos de até US$ 6,85 por dia, apresentou uma retração de 16,6 pontos percentuais, declinando de 46,7% para 30,1%.
Além da redução da miséria, a capital amazonense figurou em um grupo seleto de regiões que conseguiram mitigar a disparidade de renda interna. Enquanto a maior parte das áreas metropolitanas brasileiras testemunhou um incremento nos níveis de desigualdade, Manaus marchou no sentido oposto, acompanhada por Belém, Macapá, Recife, Salvador, Grande Vitória, São Paulo e Vale do Rio Cuiabá.
Contrastes na distribuição de renda e coeficientes de Gini
O relatório expõe as assimetrias na distribuição dos recursos financeiros pelo território nacional por meio do coeficiente de Gini, indicador que mede a desigualdade em uma escala de zero a um, onde valores mais altos apontam maior concentração de renda.
Em 2025, as localidades que registraram os maiores coeficientes, sinalizando mercados de trabalho mais desiguais, foram Brasília (0,570), Natal (0,565), Teresina (0,563), Rio de Janeiro (0,559) e Fortaleza (0,551).
Por outro lado, os menores índices de concentração de renda foram identificados nas seguintes regiões:
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Vale do Rio Cuiabá (0,459)
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Florianópolis (0,485)
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Manaus (0,485)
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Macapá (0,493)
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Curitiba (0,497)
Disparidades nos rendimentos médios entre o Norte e o Sul
Embora algumas capitais nortistas e nordestinas tenham apresentado melhora na equidade distributiva, o rendimento médio mensal do trabalhador ainda expõe uma divisão geográfica acentuada. As metrópoles situadas nas porções Norte e Nordeste concentram, proporcionalmente, um contingente maior de cidadãos de baixa renda em comparação com as regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste.
Na base da pirâmide salarial de 2025, a Grande São Luís registrou o menor rendimento médio mensal, fixado em R$ 1.616, seguida de perto por Manaus (R$ 1.685), Macapá (R$ 1.789), Fortaleza (R$ 1.812) e Salvador (R$ 1.861).
No topo oposto, o Distrito Federal liderou os ganhos com uma média de R$ 4.401 mensais, montante que supera em 2,7 vezes o rendimento observado na capital maranhense. Completam o grupo de maiores rendimentos as regiões de Florianópolis (R$ 3.449), Curitiba (R$ 3.265), São Paulo (R$ 3.119) e Belo Horizonte (R$ 3.075).
O boletim cobreu um ecossistema urbano composto por cerca de 300 municípios, que abrigam aproximadamente 40% da população total do Brasil, oferecendo um diagnóstico abrangente das condições de vida nas principais aglomerações urbanas do país.
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