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Encapuzados invadem aldeia e pedem ‘a cabeça’ de cacique

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Durante a invasão a uma aldeia de indígenas kanamari no Vale do Javari (AM), no dia 16 de abril, pessoas encapuzadas e armadas procuraram por um cacique e disseram que queriam “acertar as contas pessoalmente” com ele, segundo consta no boletim de ocorrência (BO) do caso.

A invasão ocorreu um dia após uma apreensão de madeira ilegal feita pela Polícia Federal em conjunto com a Univaja (União dos Povos Indígenas do Vale do Javari).

Durante a invasão a uma aldeia de indígenas kanamari no Vale do Javari (AM), no dia 16 de abril, pessoas encapuzadas e armadas procuraram por um cacique e disseram que queriam “acertar as contas pessoalmente” com ele, segundo consta no boletim de ocorrência (BO) do caso.

A invasão ocorreu um dia após uma apreensão de madeira ilegal feita pela Polícia Federal em conjunto com a Univaja (União dos Povos Indígenas do Vale do Javari).

O caso aconteceu um dia depois de uma apreensão de cerca de 150 m³ de madeira ilegal na mesma região da aldeia. O cacique ameaçado estava no grupo que realizou a ação.

De acordo com presentes na operação, no dia 13 de abril, uma equipe de vigilância da Univaja com dez pessoas encontrou diversas toras de madeira amarradas no igarapé Irari, que fica próximo à fronteira com o Peru, ainda dentro da terra indígena.

O grupo chegou a tentar seguir o rastro de um barco que havia passado por ali, mas não conseguiu encontrá-lo. Adentrando a mata no território, foram encontradas mais toras e árvores cortadas, o que indica que poderia haver ainda mais madeira escondida na floresta.

A equipe então resolveu acampar a noite em um local mais seguro e retornar no dia seguinte, quando, pela manhã, flagraram um grupo de quatro barcos se preparando para transportar as toras para fora da região, amarradas com cabos de aço.

A Univaja abordou o grupo e impediu que saíssem de lá. Nas embarcações, foram encontrados itens usados na extração de madeira, como machados e marretas. A entidade avisou a Polícia Federal, que respondeu que faria o flagrante no dia seguinte.

De acordo com os presentes, a equipe de vigilância decidiu acampar no local, para evitar que a madeira fosse transportada durante a noite.

Na manhã seguinte, no dia 15 de abril, a PF compareceu ao local, fez a apreensão e deixou um morador da região como fiel depositário da madeira. A invasão à aldeia aconteceu foi no dia seguinte.

Foram encontradas toras de cedro-arana, itaúba, ucuuba, maubarana e louro. O igarapé Irari é um afluente do rio Javari, que marca a fronteira do Brasil com o Peru.

De acordo com o policial civil Alex Perez, que comanda a delegacia de Atalaia do Norte (AM), por enquanto apenas o denunciante foi ouvido. A PF está monitorando a região para garantir a segurança dos indígenas, mas ainda não foi decidido.

A aldeia Irari 2, onde ocorreram as ameaças, fica na região conhecida como médio Javari, no noroeste da terra indígena, perto da fronteira com o Peru.

Em carta enviada à Funai, indígenas Kanamari solicitam a presença da PF e de agentes do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) na região para aumentar a segurança.

“A retirada de madeira e a pesca ilegal feita por criminosos dentro das nossas aldeias têm nos tornado reféns do medo”, afirmam os indígenas, que criticam a demora do Estado brasileiro de tomar medidas assertivas para a proteção do Vale do Javari.

Em nota, a Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas) disse que acompanha o caso por meio da unidade do órgão na região. “Após tomar conhecimento da ameaça sofrida pelo presidente da Associação do Povo Kanamari do Vale do Javari, a Funai informou a Polícia Federal sobre o ocorrido”, diz o texto.

O órgão também afirma que se colocou à disposição das forças de segurança pública para tratativas sobre ações de combate ao tráfico de drogas, pesca, caça ilegal e contrabando de madeira na região para evitar que as populações indígenas sejam alvos de novos ataques.

Procurado, o Ministério dos Povos Indígenas disse que não foi notificado sobre o caso e, portanto, não iria se pronunciar. Já a Secretaria de Segurança Pública do Amazonas não respondeu até a publicação desta reportagem.

Com informações da FolhaPress*

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