Presidente destaca energia limpa, critica conflitos globais e alerta para impactos da inteligência artificial no emprego durante discurso na Hannover Messe
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu neste domingo (19) a ampliação de parcerias entre o Brasil e a Europa para promover a descarbonização da indústria e reduzir custos energéticos. A declaração foi feita durante a abertura da Hannover Messe, considerada a maior feira industrial do mundo, realizada na Alemanha.
Em seu discurso, Lula afirmou que o Brasil pode contribuir de forma significativa para a transição energética europeia, destacando a matriz energética limpa do país. Segundo ele, é fundamental que a União Europeia considere esse diferencial brasileiro ao estabelecer regras comerciais e ambientais. O presidente também criticou possíveis barreiras ao acesso de biocombustíveis, classificando-as como contraproducentes tanto do ponto de vista ambiental quanto energético.
Descarbonização e economia verde marcam agenda internacional
Ao abordar o tema da sustentabilidade, Lula reforçou que o Brasil pretende avançar em um programa robusto voltado à economia verde e à indústria 4.0 a partir de 2026. Ele também ressaltou a necessidade de combater o que chamou de “narrativas falsas” sobre a sustentabilidade da agricultura brasileira.
O discurso ocorreu na presença do chanceler alemão, Friedrich Merz, além de autoridades e empresários dos dois países. Lula destacou que o Brasil já adota medidas relevantes, como a mistura de 30% de etanol na gasolina e 15% de biodiesel, além de possuir cerca de 90% de sua matriz elétrica baseada em fontes limpas.
Outro ponto enfatizado foi o potencial brasileiro na produção de hidrogênio verde e na exploração de minerais estratégicos, como nióbio, grafita, terras raras e níquel. O presidente defendeu que o país não seja apenas exportador dessas matérias-primas, mas que estabeleça parcerias internacionais com transferência de tecnologia.
Inteligência artificial e mercado de trabalho
Durante o pronunciamento, Lula também abordou os impactos da inteligência artificial sobre o mercado de trabalho. Ele alertou para a necessidade de considerar os efeitos sociais do avanço tecnológico, especialmente em relação à geração de empregos.
O presidente afirmou que, embora a inteligência artificial aumente a produtividade, seu uso em contextos militares levanta preocupações éticas e legais. Ele defendeu que o desenvolvimento tecnológico seja acompanhado de políticas que garantam oportunidades de trabalho.
No campo interno, Lula mencionou indicadores econômicos positivos, como a redução do desemprego, e voltou a defender mudanças na jornada de trabalho, incluindo o fim da escala 6×1, com o objetivo de assegurar melhores condições aos trabalhadores.
Críticas a conflitos e cenário geopolítico
Lula também fez críticas ao cenário internacional, classificando como “maluquice” os conflitos envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. Segundo ele, o Brasil é menos impactado diretamente, mas sofre efeitos indiretos, como a volatilidade no preço do petróleo e a escassez de fertilizantes.
Esses fatores, de acordo com o presidente, contribuem para o aumento dos custos de energia, transporte e alimentos, afetando principalmente as populações mais vulneráveis. Ele também criticou o aumento dos gastos globais com guerras, estimados em US$ 2,7 trilhões, e pediu maior responsabilidade das potências mundiais.
Comércio internacional e acordo Mercosul-União Europeia
No âmbito do comércio internacional, Lula destacou a importância do acordo entre Mercosul e União Europeia, que deve entrar em vigor em breve. Segundo ele, o pacto criará um mercado com cerca de 720 milhões de pessoas e um Produto Interno Bruto (PIB) de US$ 22 trilhões.
O presidente também defendeu mudanças na Organização Mundial do Comércio (OMC), apontando uma “paralisia” da instituição diante dos desafios globais atuais.
Compromissos ambientais e redução do desmatamento
Encerrando sua participação, Lula reiterou o compromisso do Brasil com o desmatamento zero na Amazônia até 2030. Ele afirmou que, nos últimos três anos, o país reduziu o desmatamento em 50% na Amazônia e em 32% no Cerrado.
As declarações reforçam a estratégia brasileira de se posicionar como protagonista na agenda ambiental global, ao mesmo tempo em que busca ampliar sua inserção econômica por meio de parcerias internacionais.
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