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Peixes da região amazônica estão contaminados com mercúrio, diz estudo

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Um novo estudo revela que os peixes da região amazônica estão contaminados por mercúrio. A pesquisa foi feita em seis estados e 17 municípios pelos pesquisadores da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca da Fundação Oswaldo Cruz (Ensp/Fiocruz), da Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA), Greenpeace Brasil, Iepé, Instituto Socioambiental e WWF-Brasil.
O levantamento buscou avaliar o risco à saúde humana em função do consumo de peixes contaminados, e, para isso, visitou mercados e feiras em 17 cidades amazônicas onde foram compradas as amostras utilizadas na pesquisa.
Os resultados mostram que peixes de todos os seis estados amazônicos apresentaram níveis de contaminação acima do limite aceitável de 0,5 µg/g, estabelecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O mercúrio é utilizado no garimpo ilegal e causa problemas à saúde.
O Amazonas está na quarta posição do ranking com 22,5% dos peixes contaminados acima do limite recomendado. Logo atrás dos estados Roraima, com 40%, Acre com 35,9% e Rondônia com 26,1%.
“Este é o primeiro estudo que avalia os principais centros urbanos amazônicos espalhados em seis estados. Ele reforça um alerta para um assunto já conhecido, mas não resolvido, que é o risco à segurança alimentar na região amazônica gerado pelo uso de mercúrio na atividade garimpeira. É preocupante que a principal fonte de proteína do território, se ingerida sem controle, provoque danos à saúde por estar contaminada”, ressalta Decio Yokota, coordenador do Programa de Gestão da Informação do Iepé.
Segundo os pesquisadores, a contaminação por mercúrio é mais grave em mulheres grávidas, já que o feto pode sofrer distúrbios neurológicos, danos aos rins e ao sistema cardiovascular.
“Já as crianças podem apresentar dificuldades motoras e cognitivas, incluindo problemas na fala e no processo de aprendizagem. De forma geral, os efeitos são perigosos, muitas vezes irreversíveis, os sintomas podem aparecer após meses ou anos seguidos de exposição. É urgente a criação de políticas públicas para atender as pessoas já afetadas pela contaminação por mercúrio e medidas preventivas, de controle de uso”, alertou Paulo Basta, pesquisador da Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz.
A principal recomendação que os pesquisadores fazem é ter maior controle do território amazônico e erradicar os garimpos ilegais e outras fontes emissoras de mercúrio para o ambiente.
“Além da degradação ambiental, os garimpos ilegais trazem um rastro de destruição que inclui tráfico de drogas, armas e animais silvestres, além da exploração sexual. Por isso, o Estado precisa garantir maior controle e segurança para as populações locais. No entanto, outras ações como a fiscalização do desmatamento e queimadas também reduzem a exposição ao mercúrio, uma vez que impactam na dinâmica dos solos e dos rios e igarapés”, afirma Marcelo Oliveira, especialista em conservação do WWF-Brasil.

O estudo

O levantamento foi realizado de março/2021 a setembro/2022 nos estados do Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia e Roraima. As amostras foram coletadas nos municípios de:
  • Altamira (PA);
  • Belém (PA);
  • Boa Vista (RR);
  • Humaitá (AM);
  • Itaituba (PA);
  • Macapá (AP);
  • Manaus (AM);
  • Maraã (AM);
  • Oiapoque (AP);
  • Oriximiná (PA;
  • Porto Velho (RO);
  • Rio Branco (AC);
  • Santa Isabel do Rio Negro (AM);
  • Santarém (PA);
  • São Félix do Xingu (PA);
  • São Gabriel da Cachoeira (AM); e
  • Tefé (AM).

Foram avaliados 1.010 exemplares de peixes, de 80 espécies distintas, comprados em mercados, feiras e diretamente de pescadores, simulando o dia a dia dos consumidores locais.

Os piores índices estão em Roraima, com 40% de peixes com mercúrio acima do limite recomendado, e Acre, com 35,9%. Já os menores indicadores estão no Pará, com 15,8%, e no Amapá, com 11,4%.
Na média, 21,3% dos peixes comercializados nas localidades e que chegam à mesa das famílias na região Amazônica têm níveis de mercúrio acima dos limites seguros.

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