O senador Plínio Valério (PSDB-AM), candidato à reeleição pelo Amazonas, voltou a protagonizar um forte embate político envolvendo a ministra Marina Silva e a política ambiental do governo federal. Durante sabatina da Rede Amazônica nesta segunda-feira (31), o parlamentar afirmou que continuará enfrentando a ministra e classificou o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) como “o maior câncer deste país”.
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A declaração expôs novamente o tom agressivo adotado por Plínio Valério ao tratar de questões ambientais e da atuação dos órgãos federais na Amazônia. O senador também criticou restrições ambientais e afirmou que sua postura de confronto faz parte de sua estratégia política.
Plínio Valério critica Marina Silva e política ambiental
Questionado pelo jornalista Brenno Cabral sobre os constantes confrontos públicos com Marina Silva, Plínio não sinalizou qualquer mudança de postura.
“Eu vou continuar desrespeitando a ministra. Enquanto ela não pedir desculpa à população do Amazonas”, afirmou.
O jornalista então questionou de que forma esse comportamento poderia contribuir para a defesa dos interesses do Estado. O senador respondeu de maneira direta, demonstrando irritação com a pergunta.
“Não interessa, cara. Eu tô no Amazonas pra defender o Amazonas e o amazonense”, declarou.
Plínio ainda afirmou que os eleitores conhecem seu estilo político e que aqueles que não concordarem com sua maneira de agir podem escolher outro candidato.
“Quem votar em mim sabe que eu sou assim. E quem sabe que eu sou assim e não gostar, não vota em mim”, disse.
A declaração reforça uma estratégia política baseada no enfrentamento direto, especialmente em relação a Marina Silva e às posições do governo federal sobre a preservação da Amazônia.
Embora a conciliação entre conservação e desenvolvimento seja um dos principais desafios da região, o discurso de confronto adotado pelo senador coloca a questão ambiental novamente no centro de uma disputa política marcada por críticas duras aos órgãos responsáveis pela proteção da floresta.
Senador chama ICMBio de “câncer”
Em outro momento da sabatina, Plínio direcionou as críticas ao ICMBio, responsável pela gestão das unidades de conservação federais e por ações relacionadas à proteção da biodiversidade.
Ao mencionar sua atuação na CPI das ONGs no Senado, o parlamentar afirmou que o órgão deveria considerar as dificuldades enfrentadas pelas populações amazônicas.
“O ICMBio é a maior câncer que tem neste país”, afirmou.
A declaração, além de extremamente dura, evidencia o nível de polarização em torno da política ambiental na Amazônia. Para o senador, determinadas regras e restrições impostas em áreas protegidas acabam atingindo diretamente comunidades que dependem de atividades tradicionais.
Plínio citou como exemplo restrições relacionadas à pesca do pirarucu e mencionou uma área de conservação localizada em Itacoatiara.
“O meio ambiente é importante, mas o cidadão tem quase 60% de pobreza. Como tolerar ONGs proibindo de pegar o pirarucu? O meio ambiente tem que estar junto com o ser humano”, declarou.
A fala, porém, também reacende uma discussão delicada: como garantir melhores condições de vida às populações amazônicas sem transformar a pobreza regional em justificativa para enfraquecer mecanismos de proteção ambiental.
“Eu não gosto quando a minha voz é calada”
A tensão aumentou novamente quando Plínio reclamou do tempo destinado às respostas e afirmou que precisava concluir sua fala.
“Eu não gosto quando a minha voz é calada”, disse.
O jornalista explicou que o senador ainda teria espaço para suas considerações finais.
O episódio reforçou a postura combativa apresentada por Plínio durante a sabatina, sobretudo nos momentos em que foi questionado sobre Marina Silva, meio ambiente e a atuação de instituições federais na Amazônia.
Plínio admite não ter domínio sobre tributação da Zona Franca
Além das críticas ambientais, o senador aproveitou a entrevista para destacar ações que considera resultados de seu mandato.
Sobre a Zona Franca de Manaus, Plínio afirmou que não domina tecnicamente todos os aspectos tributários do modelo e explicou que utiliza o suporte dos consultores do Senado para questões específicas.
“Não disse que não entendo da Zona Franca, disse que de tributos quem entende são os consultores. Defender a Zona Franca é entender que os empregos são importantes”, afirmou.
O parlamentar também declarou ter realizado mais de 800 pronunciamentos sobre a Zona Franca na tribuna do Senado.
Entre as iniciativas citadas por Plínio estão a autonomia do Banco Central, medidas para ampliar a realização de mamografias pelo SUS a partir dos 40 anos e propostas relacionadas à acessibilidade de pessoas autistas em estádios.
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