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Primeiro filme gravado na Amazônia é recuperado após quase 100 anos

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Em 2023, um tesouro cinematográfico emergiu do passado quando o primeiro filme rodado na Amazônia, um raro filme mudo produzido em 1918, foi recuperado do anonimato após quase um século desaparecido. Você conhece essa história?

Primeiro Filme Gravado na Amazônia

A obra, intitulada “Amazonas – o Maior Rio do Mundo,” foi conduzida pelo cineasta português Silvino Santos, residente de Manaus na época. Santos, ao longo de dois, anos, registrou imagens que vão desde a comercialização de produtos da floresta no mercado do Ver-o-Peso, em Belém, até a coleta de castanha, a produção de pirarucu e a pesca do peixe-boi, atividade que hoje é proibida devido ao risco de extinção da espécie.

As imagens abrangem, ainda, a Ilha do Marajó, a relação dos indígenas peruanos com a natureza e, em Manaus, a imponência do Teatro Amazonas.

Imagem do filme "Amazonas - O Maior Rio do Mundo", de Silvino Santos.
Imagem do filme “Amazonas – O Maior Rio do Mundo”, de Silvino Santos. FOTO: Reprodução

Informações do Primeiro Filme Gravado na Amazônia

Quando o filme foi concluído em 1920, Silvino Santos encarregou um procurador de promover a obra na Europa, mas uma fraude ocorreu quando o procurador se apresentou como autor do filme e o vendeu ilegalmente sob o título “As Maravilhas do Amazonas,” alcançando grande sucesso.

Devido ao roubo da obra logo na fase inicial da promoção do filme, a produção jamais foi exibida nos cinemas brasileiros até hoje. Quando Silvino Santos faleceu aos 86 anos, em 1970, seu filme sobre a Amazônia ainda permanecia desaparecido.

Restauração do Filme Após Décadas

Recentemente, a obra foi recuperada na Cinemateca de Praga, na República Tcheca, onde estava arquivada erroneamente como um filme norte-americano gravado em 1925. A identificação correta foi possível graças à colaboração entre curadores tchecos, italianos e brasileiros, revelando a verdadeira autoria de Silvino Santos.

Somente no dia 10 de outubro de 2023, o filme foi exibido sob seu título original pela primeira vez, no Festival de Cinema Mudo Pordenone, na Itália. Já no Brasil, o longa foi exibido pela primeira vez em 22 de novembro de 2023, em uma sessão especial da Cinemateca Brasileira, em São Paulo, como uma homenagem ao cineasta que ao mesmo tempo proporcionou ao público uma visão inédita da Amazônia no início do século XX.

Após a sessão em São Paulo, o filme será exibido em outras quatro sessões em cinemas nacionais. Entre essas exibições, há ainda uma sessão no dia 29 de dezembro de 2023 no Teatro Amazonas, em Manaus, em parceria com o Cine Set e o Governo do Estado do Amazonas.

Em entrevista ao Jornal Nacional, o pesquisador da UFPA Sávio Stocco afirmou: “Todas essas imagens elas são um documento e têm um valor muito grande para a gente se compreender outras épocas e para a gente pensar também o nosso tempo. Que avanços a gente teve em termos de proteção da natureza, de relação com povos originários, é um documento muito importante para a gente pensar sobre essas diferenças entre as épocas.”

Importância Histórica da Recuperação do Primeiro Filme na Amazônia

O cineasta português Silvino Santos.
O cineasta português Silvino Santos. FOTO: Reprodução

A obra cinematográfica de Silvino Santos, agora apresentada mundo afora com seu título original, é um documento importante da evolução da Amazônia e das comunidades que a habitavam no início do século XX. As imagens capturadas pelo cineasta documentam não apenas a beleza natural da região, mas também práticas culturais, atividades econômicas e a interação das comunidades com o ambiente ao seu redor.

O filme é uma narrativa visual que serve também como um testemunho histórico vivo do cotidiano amazônico de uma forma jamais antes vista, permitindo que as gerações atuais e futuras conectem-se com as raízes da região.

Além disso, a recuperação do filme vem em uma época em que a valorização do cinema brasileiro tem se tornado uma pauta no cenário artistico nacional. Silvino Santos, um cineasta que já havia se estabelecido como pioneiro do cinema brasileiro, também contribui para a tapeçaria da cinematografia nacional com mais esta obra.

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