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Brasil quer combate às desigualdades no COP 30

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Pela primeira vez na história, o Brasil presidirá o G20, um fórum de cooperação internacional que reúne as 19 principais economias do mundo, a União Europeia e a União Africana. O mandato brasileiro, iniciado em 1º de dezembro do ano passado, terá duração de um ano e se encerrará em 30 de novembro.

O embaixador Maurício Lyrio, que ocupa a função de “Sherpa do Brasil para o G20“, falou à Agência Brasil sobre as expectativas para a presidência brasileira.

Incluindo as prioridades definidas pelo Brasil no G20, está a reforma da governança global. Como fazer essa agenda avançar no G20?

Segundo Lyrio, uma das prioridades da presidência brasileira do G20 é o revigoramento do multilateralismo e a promoção da reforma das instituições de governança global.

“Muitas das organizações internacionais foram concebidas na década de 1940, refletindo uma realidade que não existe mais. À medida que o sistema internacional evolui para uma configuração mais multipolar, é essencial que essas instituições atualizem suas estruturas, para melhor representar seus membros e entregar resultados concretos”, disse.

“A presidência brasileira do G20 adota como premissa que apenas com um sistema multilateral revigorado será possível alcançar a paz, a estabilidade e o desenvolvimento sustentável inclusivo”, acrescentou.

Outra prioridade é a agenda do desenvolvimento sustentável por meio das três dimensões (social, econômica e ambiental). Como o G20 deve atuar nesse tema e qual será a proposta do Brasil?

Lyrio afirmou que o G20 tem um papel importante na mobilização de recursos para enfrentar os desafios globais no campo da sustentabilidade.

“O desenvolvimento econômico sustentável visa, além do crescimento, a garantia de que não ocorra às custas das gerações futuras. Políticas econômicas sustentáveis priorizam a criação de empregos, inovação e investimento em setores que promovem a prosperidade a longo prazo, reduzem as desigualdades e preservam o meio ambiente”, explicou.

“É isso que está por trás do chamado ‘desenvolvimento sustentável em três pilares’ (social, econômico e ambiental)”, acrescentou.

No campo da mudança do clima, a presidência brasileira do G20 criou uma Força-Tarefa para a Mobilização Global contra as Mudanças Climáticas, com o objetivo de reforçar a resposta coordenada do G20 à mudança do clima.

“A ideia é reforçar o papel dos planos nacionais de transformação ecológica e dar fôlego ao envolvimento do setor financeiro na ação climática”, disse.

As guerras na Ucrânia e no Oriente Médio somadas as crescentes tensões ao redor do mundo, como a disputa comercial/tecnológica entre China e Estados Unidos e os golpes militares na África, parecem mostrar um mundo em crescente fragmentação e conflagração. Nesse contexto, como fazer com que o G20 tenha eficiência em coordenar respostas aos desafios globais?

Lyrio disse que, de forma realista, não se pode esperar que o G20 esteja totalmente imune a conflitos e rivalidades internacionais.

“Assim, é ainda mais importante que o Brasil defenda o revigoramento do multilateralismo e a reforma dos organismos multilaterais”, afirmou.

“Precisamos que o sistema multilateral seja capaz, por meio do diálogo e da negociação, de dar respostas aos conflitos e desafios mencionados em sua questão”, acrescentou.

“Por isso, o Brasil defende a reforma das instituições internacionais – para que esses órgãos sejam mais representativos e eficazes na busca da paz e do desenvolvimento”, concluiu.

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