O atual chanceler federal da Alemanha, Friedrich Merz, gerou repercussão após realizar declarações comparando desfavoravelmente o Brasil ao seu país de origem. Durante um discurso proferido no Congresso Alemão do Comércio, realizado na última semana, o líder alemão utilizou sua recente estadia em Belém, no Pará, como um contraponto para exaltar as qualidades da nação europeia.
A fala de Friedrich Merz ocorreu poucos dias após o seu retorno da Cúpula de Líderes, evento pré-COP30 que aconteceu na capital paraense entre os dias 6 e 7 de novembro. Ao dirigir-se a uma plateia composta por membros do setor varejista e empresarial, o chanceler buscou incentivar um sentimento de valorização da Alemanha, citando a reação dos profissionais de imprensa que o acompanharam na viagem à Amazônia brasileira.
Segundo o relato transcrito pelo governo alemão e disponibilizado pela Handelsverband Deutschland (HDE), Friedrich Merz questionou os jornalistas sobre a experiência no Brasil.
“Senhoras e senhores, nós vivemos em um dos países mais bonitos do mundo. Perguntei a alguns jornalistas que estiveram comigo no Brasil na semana passada: ‘Quem de vocês gostaria de ficar aqui?’ Ninguém levantou a mão”, declarou o chanceler.
Ele complementou afirmando que a sensação geral do grupo foi de alívio ao regressar. “Todos ficaram contentes por termos retornado à Alemanha, na noite de sexta para sábado, especialmente daquele lugar onde estávamos”, pontuou Friedrich Merz, referindo-se indiretamente à infraestrutura ou ao ambiente encontrado em Belém durante as tratativas diplomáticas.
O contexto político e econômico da declaração
O objetivo do discurso de Friedrich Merz no evento, organizado em parceria com o instituto de pesquisa EHI Retail Institute, era convocar os empresários a defenderem o “ambiente comercial próspero e livre” da Alemanha. O chanceler enfatizou a necessidade de manter o “senso de proporção e equilíbrio” e proteger a democracia e a ordem econômica de mercado contra “inimigos internos e externos”.
Apesar da comparação polêmica, a visita de Friedrich Merz ao Brasil teve caráter estratégico. Durante a Cúpula de Líderes, ele participou de uma reunião bilateral com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na ocasião, o chanceler prometeu que a Alemanha contribuiria com um “valor significativo” para o Fundo Florestas para Sempre (TFFF), uma das principais apostas do governo brasileiro para a preservação ambiental na COP30.
No entanto, a postura de Friedrich Merz frustrou algumas expectativas diplomáticas ao não especificar o montante exato da doação. A ausência de um anúncio financeiro concreto foi interpretada por analistas como uma estratégia para evitar compromissos vinculantes imediatos com a proposta brasileira, que visa remunerar nações que preservam suas florestas tropicais.
Friedrich Merz e a visão sobre clima e economia
Ainda durante sua passagem pelo Brasil, Friedrich Merz defendeu que a proteção climática não deve ser dissociada do desenvolvimento econômico. Ele reiterou essa posição aos representantes do varejo alemão, afirmando que a política ambiental do seu governo não atua “contra a economia”, mas sim em conjunto com ela.
“Eu disse exatamente isso também na semana passada, na Conferência do Clima, no Brasil. A Alemanha mantém seus compromissos climáticos, mas agora a Alemanha não faz mais política climática contra a economia”, explicou o chanceler. Ele ressaltou que a responsabilidade sobre as questões ambientais é coletiva e que todos contribuem para a existência do problema.
Além das questões internacionais envolvendo o Brasil, Friedrich Merz aproveitou o Congresso do Comércio para anunciar medidas internas de fortalecimento econômico. Entre elas, destacou a reorganização da imigração para o mercado de trabalho através da agência Work-and-Stay. O plano visa digitalizar e agilizar processos de permissão de trabalho e residência, focando na atração de profissionais qualificados desde o primeiro dia de sua chegada ao país, diferenciando-se dos processos de asilo tradicionais.
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