O governo dos Estados Unidos anunciou uma medida estratégica para aliviar a pressão sobre o setor energético global. Através de uma licença emitida pelo Departamento do Tesouro, Washington concedeu uma autorização temporária para a comercialização de petróleo russo que já se encontra embarcado em navios. A decisão, confirmada nesta quinta-feira (12/03), permite a venda de óleo bruto e derivados carregados antes do início do dia 12 de março, com prazo de validade estipulado até 11 de abril.
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Essa movimentação representa uma flexibilização nas sanções aplicadas a Moscou desde 2022. De acordo com o secretário do Tesouro, Scott Bessent, a prioridade é ampliar a oferta disponível no mercado internacional em um momento de alta volatilidade. Bessent ressaltou que a medida é de curto prazo e não deve gerar ganhos fiscais significativos ao Kremlin, uma vez que a maior parte da arrecadação tributária russa ocorre no momento da extração do recurso, e não na venda final do estoque flutuante.
Impacto do petróleo russo e reações internacionais
A decisão de Washington surge em um contexto de extrema tensão no Oriente Médio. O recente fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã retirou do mercado uma via por onde transita cerca de 20% do petróleo mundial. Diante desse cenário, o enviado econômico do Kremlin, Kirill Dmitriev, classificou a suspensão parcial das restrições como inevitável. Segundo o representante russo, os EUA estão reconhecendo que a estabilidade energética global é inviável sem a participação da produção russa.
Por outro lado, a medida encontrou resistência entre aliados europeus. O presidente da França, Emmanuel Macron, criticou abertamente a postura americana. Durante videoconferência com líderes do G7, Macron afirmou que a crise no Estreito de Ormuz não justifica o relaxamento das punições impostas à Rússia e defendeu a manutenção do consenso internacional em apoio à Ucrânia.
Crise em Ormuz e a marca dos 100 dólares
A instabilidade no mercado é alimentada pela guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, que já completa treze dias. O preço do barril de petróleo voltou a atingir o patamar de 100 dólares, impulsionado pelas ameaças de Teerã contra a infraestrutura energética da região. Estima-se que existam 125 milhões de barris estocados em petroleiros aguardando definições logísticas e legais.
O embaixador iraniano na Tunísia, Mir Masoud Hosseinian, reforçou que as forças navais de seu país detêm o controle total sobre a hidrovia que liga o Golfo Pérsico ao Oceano Índico. Segundo as autoridades iranianas, a segurança do abastecimento mundial agora depende diretamente do respeito à soberania de Teerã, o que mantém os mercados financeiros em estado de alerta.
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