A saúde mental de adolescentes no Brasil apresenta indicadores extremamente preocupantes, segundo a mais recente Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSe), divulgada nesta quarta-feira pelo IBGE. O levantamento, que ouviu quase 120 mil estudantes de instituições públicas e privadas em 2024, revela que três em cada dez jovens de 13 a 17 anos sentem tristeza profunda de forma constante ou na maioria das vezes. O estudo é considerado uma representação fiel da realidade estudantil brasileira e acende um alerta para famílias e gestores públicos.
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Os dados mostram que o sofrimento psicológico não é um fato isolado, mas uma condição que atinge uma parcela significativa da base escolar. Além do sentimento de tristeza, cerca de 30% dos entrevistados admitiram já ter sentido vontade de se machucar propositalmente. A irritabilidade e o nervosismo também são frequentes, afetando 42,9% dos alunos, enquanto 18,5% declararam sentir que a vida não vale a pena.
Disparidade de gênero e o impacto emocional nas meninas
Um dos pontos mais detalhados pela pesquisa é a diferença estatística entre os sexos. Em todos os critérios avaliados, as meninas apresentam índices muito mais elevados de vulnerabilidade. Enquanto 16,7% dos meninos relatam tristeza constante, entre as alunas esse número salta para 41%. A vontade de praticar autoagressão segue a mesma lógica, atingindo 43,4% do público feminino contra 20,5% do masculino.
Essa tendência se repete na percepção de suporte familiar e social. Aproximadamente 33% das jovens acreditam que ninguém se preocupa com elas, e quase 40% sentem que seus pais ou responsáveis não compreendem suas angústias. Especialistas do IBGE reforçam que a criação de políticas públicas direcionadas a essas diferenças de gênero é urgente para garantir o bem estar e o desenvolvimento futuro das mulheres no país.
Déficit de assistência na saúde mental de adolescentes nas escolas
O levantamento também expõe uma lacuna crítica na infraestrutura de apoio dentro do ambiente educacional. Menos da metade dos estudantes brasileiros frequenta escolas que oferecem algum tipo de suporte psicológico. Na rede pública, o cenário é ainda mais restrito, com apenas 45,8% das unidades possuindo esse tipo de serviço, em comparação a 58,2% na rede privada.
A presença de profissionais especializados, como psicólogos ou assistentes sociais no quadro fixo das escolas, é ainda menor, disponível para apenas 34,1% dos alunos. Esse desamparo institucional ocorre em um contexto onde o bullying e a violência doméstica agravam o quadro clínico. Segundo o IBGE, 20% dos jovens relataram ter sofrido agressão física por parte de responsáveis nos últimos 12 meses, e 69,2% daqueles que praticam autoagressão já foram vítimas de perseguição sistemática na escola.
Onde encontrar apoio e acolhimento especializado
Diante de pensamentos de autodestruição ou tristeza profunda, o Ministério da Saúde recomenda que o adolescente ou seus responsáveis busquem imediatamente a rede de apoio disponível. O diálogo com pessoas de confiança é o primeiro passo, mas o suporte técnico é indispensável para o tratamento adequado.
As opções de atendimento gratuito incluem os Centros de Atenção Psicossocial (Caps) e as Unidades Básicas de Saúde (UBS). Em casos de emergência, deve-se procurar as UPAs 24h, o SAMU (192) ou prontos-socorros hospitalares. Além disso, o Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece apoio emocional sigiloso e gratuito pelo telefone 188, além de atendimento via chat e e-mail disponível 24 horas por dia.
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