A Superintendência da Polícia Federal em Minas Gerais finalizou oficialmente as investigações sobre a morte de Luiz Philipi Machado de Moraes Mourão. O investigado, que era conhecido pelo codinome Sicário, faleceu enquanto estava sob custódia da instituição. O relatório conclusivo da perícia aponta que o óbito foi causado por suicídio, descartando as hipóteses de envolvimento de terceiras pessoas ou de qualquer tipo de coação psicológica que pudesse ter induzido o ato dentro da cela.
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Com o encerramento do inquérito, agentes federais agendaram uma reunião para esta quinta-feira, 23 de abril, com o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). Mendonça é o relator do processo que envolve o Banco Master na Suprema Corte e receberá o desfecho detalhado das apurações. Após a análise do magistrado, o conteúdo deve ser encaminhado à Procuradoria-Geral da República (PGR), que decidirá pelo arquivamento ou por novas diligências, embora a tendência atual indique a conclusão do caso.
Detalhes da investigação sobre a morte de Sicário
Para chegar ao veredito de suicídio, a Polícia Federal realizou um trabalho minucioso de inteligência e perícia criminal. Os investigadores analisaram integralmente as filmagens das câmeras de segurança que monitoravam a cela onde Mourão estava detido, cobrindo todo o período de sua permanência na superintendência. Além do monitoramento visual, foram realizados exames toxicológicos para verificar se o custodiado estava sob efeito de substâncias psicotrópicas no momento do incidente.
O corpo de evidências foi complementado pelo cruzamento de dados de mensagens pessoais e depoimentos de testemunhas e pessoas próximas ao investigado. Segundo a PF, o conjunto probatório não deixou dúvidas sobre a natureza da morte, reafirmando a inexistência de interferências externas. Luiz Philipi havia sido detido no âmbito da Operação Compliance Zero, que apura um suposto rombo bilionário e esquemas de fraudes financeiras.
O papel do investigado na Operação Compliance Zero
A relevância de Mourão para a estrutura sob investigação era considerada central pela Polícia Federal. Ele foi identificado como um braço operacional de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, também detido durante as diligências da operação. De acordo com o relatório, Mourão exercia a função de executor direto, ou “longa manus”, das estratégias desenhadas pela organização criminosa.
As investigações apontam que ele era responsável por atividades de alta sensibilidade, como o monitoramento de indivíduos, acesso a bancos de dados restritos e a aplicação de táticas de intimidação. A Polícia Federal destacou que a relação entre Vorcaro e Mourão era pautada por uma dinâmica violenta, evidenciada em trocas de mensagens interceptadas. Por esse desempenho em tarefas consideradas ilícitas, o relatório indica que o investigado recebia pagamentos mensais vultosos, estimados em R$ 1 milhão.
Patrimônio retido e continuidade do processo judicial
Apesar da conclusão sobre a causa da morte e do provável arquivamento do inquérito de óbito, o espólio e o patrimônio de Luiz Philipi Machado de Moraes Mourão não serão liberados de imediato. A Justiça Federal decidiu manter o bloqueio dos bens do investigado devido aos fortes indícios de que os valores possuem origem ilícita, oriundos dos pagamentos efetuados pela organização financeira.
A Operação Compliance Zero segue em andamento, buscando mapear a extensão total dos danos causados ao sistema financeiro e a participação de outros envolvidos. A entrega do relatório ao ministro André Mendonça marca o fechamento de um capítulo sensível da investigação, garantindo que as circunstâncias da morte sob custódia do Estado fossem devidamente esclarecidas com transparência e rigor técnico.
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