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Superfície de água na Amazônia volta à normalidade após seca histórica, aponta MapBiomas

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Embora dados de 2025 tragam alívio ao norte do país, levantamento revela assimetrias regionais, Pantanal sob monitoramento crítico e o risco iminente de eventos extremos em 2026.

A Amazônia apresentou recuperação após dois anos de seca severa, com a superfície de água retornando aos níveis considerados normais em 2025, segundo levantamento do MapBiomas Água. O período crítico afetou comunidades ribeirinhas, provocou mortandade de animais, incêndios florestais e aumento de doenças, mas a retomada das chuvas ajudou na recuperação dos rios.

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Os dados fazem parte da nova coleção divulgada nesta terça-feira (16) pelo MapBiomas, iniciativa formada por universidades, organizações não governamentais e empresas de tecnologia que acompanha as mudanças na cobertura territorial brasileira.

Apesar da melhora, especialistas alertam que a recuperação não ocorreu de maneira uniforme. A superfície de água da Amazônia ficou 2,6% acima da média histórica em 2025, mas 20 bacias ainda registraram níveis abaixo da média.

Segundo Bruno Ferreira, integrante da equipe do MapBiomas e pesquisador do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), algumas regiões tiveram recuperação mais lenta. Entre elas estão a bacia do rio Negro, que envolve Amazonas e Roraima, e a sub-bacia do rio Trombetas, no Pará.

Amazônia enfrenta recuperação desigual após seca severa

Em todo o Brasil, a superfície de água aumentou 5,3% em 2025 na comparação com a média histórica, alcançando 182 mil quilômetros quadrados, um crescimento de aproximadamente 10 mil km² em relação ao ano anterior.

Mesmo com o resultado positivo, o levantamento aponta uma redução no longo prazo. Considerando as últimas quatro décadas, a perda acumulada equivale ao desaparecimento de uma área de água semelhante ao tamanho do estado de Sergipe nos últimos 30 anos.

Pantanal continua sob alerta por falta de grandes cheias

No Pantanal, o cenário ainda preocupa. O bioma registrou menos água que o normal em todos os meses de 2025. A recuperação após a seca histórica de 2024 foi parcial: a área coberta por água chegou a 6.790 km², valor 34% superior ao registrado no período anterior.

O funcionamento do Pantanal depende do chamado pulso de inundação, ciclo de cheias e vazantes alimentado pelas chuvas que atingem a Amazônia e os planaltos próximos. De acordo com Eduardo Rosa, coordenador de mapeamento do bioma no MapBiomas, a região não registra uma grande cheia desde 2018, quando áreas extensas permaneceram alagadas por meses.

O rio Paraguai tem papel fundamental nesse processo. Quando ultrapassa quatro metros de nível, suas águas transbordam e alcançam grandes áreas da planície pantaneira, garantindo renovação da vegetação, reprodução de peixes e disponibilidade de água para animais.

A cidade de Corumbá, em Mato Grosso do Sul, aparece como o município brasileiro que mais perdeu superfície de água.

Biomas apresentam resultados diferentes em 2025

Além da Amazônia, que concentra 61% da área coberta por água no país, a Mata Atlântica representa 11,6% desse total. Entre 2024 e 2025, o bioma teve aumento de 0,4%, chegando a 22 mil km², sendo parte significativa formada por reservatórios artificiais.

O Cerrado também teve crescimento de 0,4%, enquanto a Caatinga aumentou 0,5%. Já o Pampa apresentou redução de 0,2%. O monitoramento do MapBiomas é realizado com imagens dos satélites Landsat 5, 7, 8 e 9, analisando 41 anos de mudanças na superfície de água brasileira.

Do total identificado, 76,7% corresponde a corpos hídricos naturais e 23,3% a áreas criadas pela ação humana, como reservatórios, pequenas barragens e estruturas para atividades agropecuárias.

El Niño pode agravar cenário de seca no Brasil

A possibilidade de um El Niño em 2026 aumenta a preocupação com novas alterações no regime de chuvas. O fenômeno pode intensificar períodos secos principalmente no Norte e Nordeste.

A climatologista Karina Bruno Lima, pesquisadora visitante na Universidade de Erlangen-Nuremberg, afirma que a Amazônia já enfrenta secas mais frequentes e intensas, e o El Niño pode ampliar esse risco.

No Pantanal, o fenômeno pode provocar aumento das temperaturas, chuvas irregulares e maior período de estiagem, elevando a possibilidade de incêndios.

Especialistas destacam que o El Niño ocorre em um contexto de aquecimento global, que contribui para temperaturas mais altas e eventos climáticos extremos mais frequentes.

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