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Mutirão de saúde do SUS leva exames e cirurgias a indígenas no Amazonas

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Uma estrutura hospitalar completa, instalada no meio da floresta tropical, está permitindo que povos indígenas do Amazonas realizem consultas, exames e cirurgias complexas sem a necessidade de viajar longas distâncias até grandes centros urbanos. A expedição do Sistema Único de Saúde (SUS) atua na Terra Indígena Andirá-Marau, no município de Maués, oferecendo atendimento especializado diretamente na comunidade entre os dias 23 e 30 de julho.

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A iniciativa beneficia diretamente os povos Sateré-Mawé e Hixkaryana, além de pacientes atendidos pelo Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Parintins. A área de abrangência do distrito inclui nove municípios, 12 polos-base, 153 aldeias, sete Unidades Básicas de Saúde Indígena (UBSI) e três Casas de Saúde Indígena (Casai), somando uma população de 17,8 mil indígenas aldeados.

“O mutirão facilita o acesso de quem vive em regiões de difícil deslocamento, com consultas, exames, cirurgias e reabilitação visual realizados na própria comunidade e respeitando as características de cada povo”, explica a secretária de Saúde Indígena, Lucinha Tremembé.

Estrutura hospitalar e atendimentos na Terra Indígena Andirá-Marau

Para viabilizar os atendimentos no território, cerca de 20 toneladas de equipamentos, medicamentos, insumos e materiais hospitalares foram transportadas até o local. A estrutura montada no território indígena reúne ambulatórios de oftalmologia, ginecologia, clínica médica e pediatria, além de consultórios odontológicos, salas cirúrgicas, laboratório, serviços de radiologia, ultrassonografia e eletrocardiograma. A infraestrutura conta ainda com uma fábrica de óculos para produção e entrega imediata aos pacientes com necessidade de correção visual, além de alojamentos adaptados para acolher as pessoas durante a permanência no local.

No campo cirúrgico, as equipes realizam procedimentos oftalmológicos (com foco principal em casos de catarata e pterígio) e cirurgias gerais, como herniorrafias. Ao longo de todo o período da ação, a expectativa é somar 1.326 consultas especializadas, 2.850 exames e procedimentos, 198 cirurgias e a confecção de aproximadamente 300 óculos.

O secretário de Atenção Especializada à Saúde, Mozart Sales, acompanhou as atividades em campo e ressaltou a relevância de aproximar a medicina especializada dessas populações. “A ação simboliza o compromisso de levar a atenção especializada aos territórios mais remotos da Amazônia. Estar presente junto às comunidades indígenas, superando barreiras geográficas para ofertar cuidado especializado, reafirma o princípio da equidade do SUS e demonstra que o programa Agora Tem Especialistas chega a quem mais precisa, onde o acesso à saúde é historicamente um dos maiores desafios”, destaca Sales.

Equipe multiprofissional e parceria institucional

A execução dos serviços mobiliza uma força-tarefa multiprofissional composta por médicos especialistas, enfermeiros, técnicos de enfermagem, odontólogos, farmacêuticos, nutricionistas, assistentes sociais e agentes indígenas de saúde. O grupo trabalha de forma integrada com profissionais do Serviço de Edificação e Saneamento Ambiental Indígena (Sesani) e com as equipes locais do DSEI Parintins.

A expedição é realizada pelo Ministério da Saúde em parceria com a Agência Brasileira de Apoio à Gestão do Sistema Único de Saúde (AgSUS) e a organização voluntária Expedicionários da Saúde (EDS). A mobilização integra o programa Agora Tem Especialistas, instituído pela Lei nº 15.233, de 7 de outubro de 2025.

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