Pacientes com doença avançada e mutação genética específica ganham uma nova opção terapêutica após falha em tratamentos anteriores.
Pacientes diagnosticados com câncer de pulmão em estágios avançados passam a contar com uma nova alternativa terapêutica no Brasil. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária aprovou a inclusão do medicamento Datroway (datopotamabe deruxtecana), desenvolvido pelo laboratório Daiichi Sankyo Brasil Farmacêutica Ltda., expandindo as possibilidades de combate à doença no país. A concessão do registro oficial foi publicada no Diário Oficial da União.
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O novo tratamento é voltado para adultos acometidos pelo câncer de pulmão de não pequenas células (CPNPC), tipo que se origina nos tecidos pulmonares e que já se encontra em fase avançada localmente ou em estado de metástase, quando as células tumorais se espalham para outros órgãos do corpo.
Linha de tratamento e a importância da mutação EGFR
A indicação do produto farmacêutico destina-se aos casos em que o paciente já passou por duas tentativas anteriores de tratamento e a doença voltou a progredir. Para a aplicação desta conduta posterior, é necessário que o tumor apresente uma alteração genética bem delimitada: a mutação do receptor do fator de crescimento epidérmico (EGFR), uma proteína situada na superfície celular que estimula a proliferação do tumor.
A identificação precisa dessa alteração genética em quadros de câncer de pulmão é fundamental para a conduta médica. Esse diagnóstico permite o emprego de terapias-alvo, consideradas estratégias inteligentes por atacarem diretamente a falha genética responsável pelo crescimento da massa tumoral.
O impacto da doença e aplicações do medicamento
Considerado a principal causa de mortalidade por neoplasias no mundo, o câncer de pulmão tem no tipo de não pequenas células a sua manifestação mais comum, correspondendo a cerca de 85% do total de diagnósticos registrados.
O Datroway já possuía autorização prévia da Anvisa para outra finalidade terapêutica no país. O produto era registrado para o tratamento de pacientes adultas com câncer de mama triplo-negativo (CMTN) em estado metastático ou irressecável, condição em que o tumor não pode ser removido por completo por meio de intervenção cirúrgica.
Avanços recentes na regulação de tratamentos no país
A liberação do Datroway reflete uma sequência de movimentações recentes da Anvisa na expansão de terapias de alta complexidade no Brasil. Em decisões anunciadas no mesmo período, o órgão regulador deu parecer favorável ao uso do epcoritamabe para tratamento de linfoma agressivo, além de ter aprovado a ampliação do uso de medicamentos pediátricos para lúpus e esclerose múltipla para crianças e adolescentes. Tais medidas consolidam um panorama de atualizações frequentes na oferta de tratamentos especializados no sistema de saúde nacional.
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