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Super El Niño ganha monitor para fiscalizar ações de governos

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Painel criado pelo Instituto Talanoa reúne 48 medidas de 11 estados e combina ferramentas de inteligência artificial com checagem humana.

As respostas do poder público aos impactos do Super El Niño passaram a ser acompanhadas por uma ferramenta que reúne decretos, programas, comitês, eventos e outras medidas adotadas por governos brasileiros. Criado pelo Instituto Talanoa, o Monitor do El Niño contabiliza atualmente 48 ações de 11 estados, distribuídas pelas três esferas de governo.

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A iniciativa surge em um período no qual o Brasil deverá ter enfrentado seis ondas de calor até dezembro, segundo o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). O fenômeno integra os efeitos atribuídos ao Super El Niño, que deve provocar impactos extremos.

No painel, o usuário pode consultar iniciativas voltadas à prevenção, ao monitoramento e à resposta aos efeitos do fenômeno no país. Os registros podem ser filtrados por ação, órgão, estado ou palavra-chave. Santa Catarina aparece com o maior número de medidas cadastradas até o momento, com 18 ações.

Super El Niño é acompanhado com IA e análise humana

Embora a inteligência artificial tenha participado do desenvolvimento do Monitor do El Niño, a atualização das informações não ocorre automaticamente. Ferramentas como Gemini e Claude foram usadas na programação em HTML e também auxiliam na identificação de fontes que servem como ponto inicial para a análise.

Antes de serem publicadas, porém, as informações passam pela equipe do Instituto Talanoa. Os dados são inseridos manualmente em uma planilha do Google e somente depois chegam ao site disponível ao público.

“É um pouco o espírito da Talanoa de aliar curadoria humana com tecnologia. O monitor não é automático, não fica buscando Internet. Tudo o que está posto lá está checado. As análises são feitas pela nossa equipe”, explica Liuca Yonaha, vice-presidente do Instituto Talanoa.

A organização também realiza busca ativa por documentos, principalmente em estados que já demonstram maior mobilização. Esse processo envolve a leitura das medidas encontradas para verificar se elas realmente estão relacionadas à preparação para o fenômeno.

“Às vezes, no portal do estado já há alguma ferramenta, uma notícia de que uma cidade tem um plano. Aí é com a gente mesmo. Tem que ler o plano, tem que ler a lei, tem que ler o decreto. Por isso que às vezes encontramos muitos erros. Mesmo com um prompt legal, ele vai mandar para um decreto que citou, mas que não é bem aquilo, que não tem a ver. É inevitável contarmos com essa análise técnica e humana”, complementa Taciana Stec, especialista em políticas climáticas do Instituto Talanoa.

Monitor inclui ações já existentes e novas mobilizações

O acompanhamento não considera apenas atos criados especificamente para o Super El Niño. Desdobramentos de políticas públicas de defesa civil também podem entrar na ferramenta. Eventos, reuniões e o reforço de planos de contingência já existentes estão entre as iniciativas registradas.

Para as especialistas, os registros indicam uma mobilização e preparação para um fenômeno dessa dimensão. A expectativa é que o painel possa servir tanto ao jornalismo quanto à fiscalização realizada pela sociedade civil.

“É importante falar do Super El Niño por causa da urgência. Os cenários são bem críticos. Essa plataforma fica também com o olhar de que a preparação pode deixar um legado. Tem município que criou o Comitê de Mudança Climática, ligado diretamente ao gabinete do prefeito. A partir do momento que você cria um comitê desses sem prazo, você não está se preparando só para o Super El Niño. Foi motivado porque se percebeu a urgência, mas você está se preparando para esse futuro que já chegou, de um mundo mais quente, de eventos extremos e frequentes.”

O projeto ainda possibilita que estados e prefeituras observem as iniciativas adotadas por governos vizinhos, o que pode permitir a formação de consórcios antes da ocorrência de desastres. Outro aspecto apontado é a possibilidade de reduzir traços da chamada ansiedade climática, associada a um pânico coletivo diante da sensação de impotência do cidadão.

“Sabendo que a sua prefeitura, seu estado, está de alguma forma se organizando, acho que reduz também essa sensação de abandono. As pessoas sabem em quem confiar no caso de um alerta porque existe um protocolo. Acho que fortalece essa relação de confiança entre o poder público e a sociedade”, comenta Taciana Stec.

Governo federal prepara estrutura de monitoramento

Em julho, o Instituto Talanoa produziu uma nota técnica reunindo as ações planejadas pelo governo federal para enfrentar os efeitos do Super El Niño. Entre as iniciativas está o Painel do El Niño, estrutura de inteligência que envolve Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), Cemaden, Serviço Geológico do Brasil (SGB) e Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec).

A iniciativa tem como objetivo consolidar e divulgar informações relacionadas ao monitoramento e às previsões do Super El Niño para o período de 2026 a 2027.

Outra medida é a Sala de Situação Interministerial, coordenada pela Casa Civil. A estrutura reúne cerca de 20 ministérios e outros órgãos federais para integrar informações meteorológicas, hidrológicas e de riscos, coordenar ações preventivas e apoiar estados e municípios na preparação e na resposta aos impactos do fenômeno. Os boletins do Painel do El Niño 2026/2027 serão a base técnica para as decisões da Sala.

Na avaliação do Instituto Talanoa, essas medidas estão concentradas em governança e planejamento, sem detalhar mecanismos de implementação, divisão de competências entre os órgãos ou previsão de recursos orçamentários necessários para executar ações de prevenção, preparação e resposta.

É justamente esse processo que o Monitor do El Niño pretende acompanhar, reunindo as medidas efetivamente colocadas em prática diante dos eventos climáticos extremos.

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