Em entrevista, candidato do Missão defendeu corte de gastos federais e contestou a logística do polo de duas rodas no Amazonas
O candidato à Presidência Renan Santos (Missão) voltou a defender a revisão das renúncias fiscais federais e afirmou que pretende começar pela Zona Franca de Manaus (ZFM). Durante entrevista ao programa CNN Eleições, da CNN Brasil, no início de setembro, o candidato também questionou a permanência da produção de motocicletas no Amazonas e citou a Honda ao comentar os incentivos tributários concedidos no modelo.
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A proposta faz parte de um plano mais amplo apresentado por Renan para reduzir as despesas públicas federais. Segundo o candidato, a intenção é promover um corte de R$ 250 bilhões nos gastos da União, tendo a revisão dos incentivos e benefícios tributários como uma das frentes para atingir esse objetivo.
Ao abordar especificamente as renúncias fiscais federais, Renan afirmou que pretende rever os benefícios concedidos pela União e citou a Zona Franca de Manaus como um dos primeiros setores que seriam analisados.
“As federais o governo vai precisar mexer, a começar pela Zona Franca de Manaus”.
A declaração reforça posicionamentos anteriores do candidato, que já havia criticado o atual formato de incentivos da ZFM em outras entrevistas.
Renan Santos cita Honda ao questionar incentivos da Zona Franca
Durante a entrevista, Renan Santos direcionou parte das críticas à indústria de motocicletas instalada no Polo Industrial de Manaus (PIM). O candidato citou nominalmente a Honda e afirmou que a empresa teria R$ 16 bilhões em renúncia fiscal relacionada à Zona Franca.
“Só uma empresa chamada Honda, na Zona Franca de Manaus, tem R$ 16 bilhões em renúncia fiscal. Isso é um absurdo. Isso cruza qualquer limite. Para fazer moto, eu preciso então gastar R$ 16 bilhões do Estado brasileiro? Só para fazer moto num lugar que não tem que fazer moto?”
O valor de R$ 16 bilhões, entretanto, foi apresentado pelo próprio candidato durante a entrevista. Conforme o material que acompanha a declaração, não foi apresentada documentação oficial que permita confirmar que esse montante corresponda especificamente aos benefícios tributários recebidos pela Honda em Manaus.
A crítica de Renan não se limitou ao volume dos incentivos. O candidato também questionou a localização da produção de motocicletas no Amazonas e defendeu que as fábricas sejam instaladas mais próximas dos principais mercados consumidores brasileiros.
“Vai fazer moto em São Paulo, em Minas, vai fazer na Bahia, onde tem mercado consumidor. Não faz sentido fazer num lugar que é logisticamente distante. A gente tem que pagar para fingir que está produzindo lá”.
Produção de motocicletas é concentrada em Manaus
A posição apresentada pelo candidato envolve uma das principais cadeias industriais do Polo Industrial de Manaus. A capital amazonense concentra a produção nacional de motocicletas e reúne, além das montadoras, fabricantes de peças, componentes e outros fornecedores ligados ao setor.
Dados da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo) citados no material mostram que 1.458.276 motocicletas foram produzidas de janeiro a agosto deste ano. O resultado representa alta de 9,9% em relação ao mesmo período de 2025.
O volume também foi apontado como o melhor resultado para os oito primeiros meses de um ano desde 2008. Naquele período, foram produzidas 1.606.230 motocicletas.
A Honda, uma das principais fabricantes instaladas no Polo Industrial de Manaus, produz aproximadamente 7 mil motocicletas por dia, segundo as informações apresentadas. A empresa trabalha com a expectativa de encerrar o ano com 1,6 milhão de unidades produzidas.
Polo Industrial de Manaus movimenta economia e empregos
No primeiro semestre, as empresas instaladas no Polo Industrial de Manaus registraram faturamento de aproximadamente R$ 121,8 bilhões e mantiveram uma média mensal de 130.903 trabalhadores.
A Zona Franca de Manaus reúne cerca de 600 indústrias incentivadas instaladas na capital amazonense. O acesso aos benefícios fiscais está condicionado ao cumprimento de regras industriais e contrapartidas previstas no modelo.
A vigência constitucional da Zona Franca de Manaus está assegurada até 2073. O modelo de desenvolvimento regional utiliza incentivos tributários como mecanismo para estimular a instalação e a manutenção de atividades industriais na Amazônia Ocidental.
A discussão sobre os incentivos da ZFM voltou a ganhar espaço no debate eleitoral de 2026, especialmente em razão das propostas de revisão de renúncias fiscais apresentadas por candidatos à Presidência da República.
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