A alienação eleitoral (soma da abstenção com os votos brancos e nulos) registrou 19,21% no segundo turno, segundo os dados apresentados durante a apuração. A redução desses índices em relação ao primeiro turno marcou a eleição presidencial de 2026 e foi considerada um fator relevante para a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL).
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Segundo os dados oficiais consolidados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o segundo turno encerrou com 124,08 milhões de votos válidos. A taxa de abstenção caiu para 19,21%, registrando recuo em relação aos 21,08% do primeiro turno. O total de votos brancos ficou em 1,12% (1,43 milhão) e os nulos em 2,12% (2,72 milhões), confirmando um aumento expressivo no engajamento dos eleitores em relação a disputas anteriores.
Campanha de Lula apostou na mobilização dos eleitores
A redução da alienação eleitoral esteve entre as estratégias da campanha petista após a mudança de cenário na disputa presidencial. A avaliação era de que incentivar o comparecimento de eleitores ausentes no primeiro turno poderia ampliar a votação de Lula em uma eleição marcada pelo equilíbrio entre os candidatos.
No primeiro turno, a abstenção havia atingido o maior percentual para essa etapa eleitoral desde 1998. Mais de 33 milhões de brasileiros não votaram, cenário que ampliou o debate sobre o peso da participação eleitoral no resultado da disputa.
A queda registrada no segundo turno indicou maior comparecimento às urnas na etapa decisiva. Entretanto, os números de abstenção, votos brancos e nulos, considerados isoladamente, não permitem determinar quantos eleitores foram responsáveis pela diferença entre os candidatos.
São Paulo concentrou preocupação com a abstenção
O estado de São Paulo esteve entre os principais focos de atenção das campanhas devido ao elevado número de eleitores ausentes no primeiro turno.
Na ocasião, 7,69 milhões de pessoas deixaram de votar no estado, o equivalente a 22,54% do eleitorado. Na capital paulista, mais de 2,1 milhões de eleitores não compareceram às urnas, resultando em uma taxa de abstenção de 23,4%.
Na Grande São Paulo, o índice foi de 22,8%, com mais de 3,7 milhões de ausentes.
Diante desses números, a mobilização dos eleitores paulistas ganhou importância na reta final da campanha presidencial, especialmente em meio às discussões sobre a disponibilidade do transporte público no dia da votação.
Transporte público entrou no centro do debate eleitoral
O PT criticou a circulação de ônibus na capital paulista e afirmou que apenas 60% da frota prevista estava em operação. A reclamação ocorreu apesar de uma decisão judicial que determinava a disponibilização integral dos veículos programados para os dias úteis.
A SPTrans, responsável pelo transporte municipal, alegou dificuldades operacionais para reorganizar a frota após ser notificada da decisão na véspera da eleição.
A discussão envolveu a possibilidade de que dificuldades de deslocamento afetassem o comparecimento dos eleitores, sobretudo nas regiões periféricas da cidade.
Estudo aponta redução de ônibus em bairros periféricos
Um levantamento de Igor Novaes Lins, do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), utilizado pela campanha petista, identificou reduções na circulação de ônibus em regiões próximas a locais de votação.
Entre os distritos com maiores quedas estavam Vila Curuçá e São Miguel, na Zona Leste, com reduções de 35,7% e 35,5%, respectivamente. Grajaú, Jardim Ângela e Parelheiros, na Zona Sul, também apareceram entre as áreas afetadas.
O estudo analisou a circulação de veículos, mas não permite concluir, de forma isolada, que a diminuição da frota tenha provocado menor comparecimento às urnas. Para estabelecer essa relação, seriam necessárias outras informações sobre o comportamento dos eleitores e as condições de deslocamento no dia da votação.
Campanhas pediram ampliação do horário de votação
A discussão sobre as condições de acesso aos locais de votação também envolveu a campanha de Flávio Bolsonaro. A equipe do candidato solicitou a extensão do horário de votação em municípios de São Paulo, Paraná e Santa Catarina.
O pedido foi justificado por dificuldades de deslocamento provocadas por chuvas intensas, alagamentos, deslizamentos e bloqueios de vias.
Após solicitações das duas campanhas, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) estendeu o prazo de votação em âmbito nacional.
A redução da abstenção e dos votos brancos e nulos marcou, assim, o segundo turno de 2026. Embora a mobilização do eleitorado tenha sido uma preocupação central das campanhas, a dimensão exata de seu impacto sobre o resultado depende de uma análise mais ampla dos dados eleitorais.
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