Metadados analisados pela Polícia Federal indicam que arquivo de contrato entre escritório de Viviane Barci de Moraes e Banco Master foi alterado por perfil identificado com o nome do ministro
Registros analisados pela Polícia Federal na investigação envolvendo o Banco Master indicam que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), teria editado a versão final de um contrato de R$ 131,2 milhões firmado entre o escritório de advocacia de sua esposa, Viviane Barci de Moraes, e o empresário Daniel Vorcaro, controlador do banco.
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A informação consta de uma análise técnica de metadados de um arquivo recuperado pela PF do celular de Vorcaro. O aparelho foi apreendido em novembro de 2025, quando o empresário tentava embarcar para Dubai, durante a primeira fase da Operação Compliance Zero.
Contrato de R$ 131,2 milhões
De acordo com os registros do Microsoft Office 365, o documento foi alterado cerca de 1h40 após Vorcaro devolver a Viviane uma versão do contrato contendo anotações. O episódio ocorreu em janeiro de 2024.
Segundo os metadados analisados pelos investigadores, a modificação técnica do arquivo foi realizada por um perfil identificado com o nome “Ministro Alexandre de Moraes”. Já o administrador do escritório de advocacia de Viviane aparece nos registros como autor original do documento.
O contrato estabelecia o pagamento de honorários mensais de aproximadamente R$ 3,6 milhões brutos. Ao longo de 36 parcelas, o valor total previsto chegava a R$ 131.274.351,72. A identificação do perfil nos metadados, por si só, registra a autoria técnica atribuída ao arquivo, mas não esclarece, isoladamente, quais alterações foram feitas no documento ou em que circunstâncias elas ocorreram.
Escritório de Viviane recebeu R$ 80,2 milhões
Dados do Imposto de Renda do Banco Master encaminhados à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, no Senado, mostram que o escritório de Viviane Barci de Moraes recebeu R$ 80.223.653,84 em pagamentos relacionados ao contrato.
O valor foi dividido em 22 parcelas, pagas entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025. Os pagamentos ocorreram até a liquidação extrajudicial do Banco Master pelo Banco Central e a prisão de Daniel Vorcaro.
O contrato, portanto, previa um valor total superior ao que havia sido efetivamente pago até a interrupção dos pagamentos.
Escritório diz que ministro foi consultado sobre impedimentos
Em nota, o escritório Barci de Moraes afirmou que seu setor de conformidade consultou Alexandre de Moraes, na condição de marido da sócia-diretora, sobre possíveis impedimentos legais relacionados à contratação.
Segundo a banca, a consulta considerou, entre outros pontos, a eventual existência de processos no STF envolvendo o Banco Master que estivessem sob relatoria do ministro. Ainda de acordo com o escritório, como não havia previsão de atuação de Moraes em processos do Banco Master no tribunal, o contrato foi firmado e os serviços jurídicos foram prestados normalmente.
O ministro Alexandre de Moraes e a defesa de Daniel Vorcaro foram procurados para comentar os registros e as informações da investigação, mas não haviam se manifestado até a publicação da reportagem que originou o caso.
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