InícioGeralSociedadeJustiça exige plano para atendimento a vítimas de violência sexual em São...

Justiça exige plano para atendimento a vítimas de violência sexual em São Gabriel da Cachoeira

Publicado em

Publicidade

União, Amazonas e município terão 90 dias para apresentar medidas de atendimento médico e psicológico adaptadas à realidade indígena do Alto Rio Negro.

A estrutura de atendimento a vítimas de violência sexual em São Gabriel da Cachoeira, no interior do Amazonas, deverá passar por uma reorganização. A Justiça Federal determinou que União, governo do Amazonas e prefeitura elaborem conjuntamente um plano para garantir assistência médica e psicológica às vítimas no município.

📲Quer receber notícias direto no celular? Entre no nosso grupo no WhatsApp.

A decisão atende a uma ação civil pública apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF), que apontou falhas na rede pública de saúde e defendeu a garantia de atendimento integral pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no Alto Rio Negro. A região tem 93% da população formada por indígenas.

O plano deverá ser construído após uma audiência envolvendo os órgãos públicos e lideranças locais. A partir dessa reunião, os três entes terão 90 dias para apresentar o documento. Cada um poderá ser submetido a multa mensal de R$ 100 mil caso não cumpra a determinação.

Atendimento à violência sexual terá novas exigências

Entre os problemas identificados pelo MPF estão a inexistência de um fluxo padronizado para receber vítimas, a falta de garantias para o atendimento relacionado ao aborto legal e a ausência de medidas de prevenção contra infecções sexualmente transmissíveis nas unidades básicas de saúde.

A situação também envolve o único hospital do município, que possui gestão mista entre o Exército e o Estado do Amazonas. Conforme apontado pelo MPF, a unidade não dispõe de equipe ou estrutura especializada para atender casos de violência sexual.

A decisão estabelece que o plano apresente metas, cronograma e fontes de financiamento para colocar em prática os serviços previstos na Lei nº 12.845/2013. Entre as medidas estão diagnóstico, tratamento de lesões, assistência médica, psicológica e social, além das profilaxias necessárias.

Para isso, a estrutura deverá contar com médicos, enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais e farmacêuticos. Também deverá ser criada uma sala reservada para garantir privacidade e acolhimento adequado às vítimas.

Plano deverá prever atendimento para aborto legal

Outro ponto determinado pela Justiça é a definição de um fluxo local para os casos de abortamento legal nas situações autorizadas pela legislação, como gravidez decorrente de estupro, risco à vida da gestante e anencefalia.

A intenção é evitar que vítimas tenham de viajar até Manaus para realizar o procedimento. O texto destaca que o atendimento pelo SUS nessas situações não exige autorização judicial nem boletim de ocorrência.

O MPF também solicitou que os serviços comecem imediatamente e pediu a condenação da União, do Estado e do município ao pagamento de R$ 1 milhão por danos morais coletivos. Esses dois pedidos, no entanto, ainda serão analisados pela Justiça nas próximas etapas do processo.

Atendimento deverá respeitar realidade indígena

A dimensão territorial e a diversidade da população de São Gabriel da Cachoeira estão entre os fatores que deverão ser considerados na elaboração do plano. A Justiça determinou que a organização dos serviços leve em conta aspectos socioculturais, linguísticos e geográficos do município.

O documento deverá incluir estratégias para transporte fluvial e aéreo, articulação com os Distritos Sanitários Especiais Indígenas (Dseis), capacitação dos profissionais da rede e campanhas de divulgação em linguagem acessível.

São Gabriel da Cachoeira fica no Alto Rio Negro, no noroeste do Amazonas, e faz fronteira com Colômbia e Venezuela. O município é o terceiro maior do Brasil em extensão territorial, com quase 110 mil km².

Segundo dados de 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), são 51.795 habitantes, dos quais 93% se autodeclaram indígenas. O território reúne ainda 12 terras indígenas, sendo oito territórios homologados, além de 23 povos indígenas e cinco troncos linguísticos diferentes.

Ação Civil Pública nº 1050560-87.2025.4.01.3200

Leia mais:
Delegacia Digital da Mulher facilita denúncias de violência doméstica
SUS oferece teleatendimento psicológico para mulheres em situação de violência
Disque 100 registra 4.233 denúncias de violência contra crianças e adolescentes no Amazonas em 2026

Siga nosso perfil no InstagramTiktok e curta nossa página no Facebook

spot_img

Últimas Notícias

El Niño deve ficar muito forte e persistir até fevereiro de 2027, diz ONU

Fenômeno deve atingir o pico no fim de 2026, enquanto o aquecimento excepcional do...

Nikolas Ferreira chama Vorcaro de ‘lindão’ e pede ajuda com ativo minerário

Áudios divulgados pelo site ICL Notícias mostram o deputado federal pedindo ao ex-dono do...

Vereador morre após lancha bater em banco de areia no Rio Solimões

Edgarzinho estava na proa da embarcação que colidiu contra banco de areia entre Uarini...

UE suspende importações de carnes do Brasil; o que acontece na prática?

Embargo entra em vigor nesta quinta-feira e afeta carnes, pescados, mel e ovos. Setor...

Mais como este

Licença-paternidade de até 20 dias é sancionada por Lula; veja calendário e regras

Nova regra prevê aumento gradual do período de afastamento, que passará de cinco para...

Polícia Federal interrompe segurança privada irregular em festival de Boca do Acre

Fiscalização realizada durante o 28º Festival de Praia de Boca do Acre identificou vigilantes...

Sete bairros de Manaus terão desligamento de energia nesta segunda

Interrupções programadas pela Âmbar Energia Amazonas ocorrerão em diferentes pontos da capital entre 8h...