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Pesquisa desenvolve mísseis moleculares para combater genes do câncer sem atingir tecidos saudáveis

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Estudo da UFSC aposta em tecnologia que pode atingir apenas células tumorais, reduzindo danos aos tecidos saudáveis e os efeitos colaterais da quimioterapia

Pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) estão desenvolvendo uma abordagem inovadora que poderá transformar o tratamento do câncer no futuro. A proposta utiliza os chamados mísseis moleculares, uma tecnologia experimental capaz de identificar e desativar genes ligados ao câncer de forma altamente específica, preservando células saudáveis e reduzindo os efeitos colaterais comuns da quimioterapia convencional.

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Atualmente, muitos tratamentos contra o câncer atuam de forma ampla sobre o DNA das células, eliminando tumores, mas também atingindo tecidos saudáveis. Essa falta de seletividade explica sintomas frequentes como queda de cabelo, náuseas e comprometimento do sistema imunológico.

O projeto, desenvolvido no Departamento de Bioquímica da UFSC, ainda está em fase inicial de pesquisa, mas busca criar medicamentos capazes de agir exclusivamente nas células tumorais, aumentando a eficácia do tratamento e reduzindo seus impactos no organismo.

Mísseis moleculares buscam maior precisão contra o câncer

Segundo os pesquisadores, o câncer não é uma única doença, mas um conjunto de enfermidades com características genéticas distintas. Apesar dessa diversidade, muitos tumores compartilham alterações em genes responsáveis pelo crescimento e sobrevivência das células cancerosas. A partir do mapeamento dessas mutações, o desafio passa a ser desenvolver compostos capazes de localizar apenas esses genes específicos, evitando danos ao restante do genoma.

Os cientistas explicam que muitos genes associados ao câncer apresentam estruturas muito semelhantes às de genes saudáveis, dificultando a criação de medicamentos altamente seletivos. A pesquisa pretende justamente superar essa limitação ao combinar compostos químicos com proteínas capazes de reconhecer sequências específicas de DNA.

Proteína ativada pela luz funciona como um “interruptor biológico”

O estudo utiliza proteínas conhecidas como fatores de transcrição, responsáveis naturalmente por localizar determinadas sequências de DNA. Como base da pesquisa, os cientistas empregam uma proteína derivada da bactéria marinha Erythrobacter litoralis. Na natureza, essa bactéria utiliza uma proteína chamada EL222, que funciona como um interruptor ativado pela luz.

Quando iluminada, essa proteína altera sua estrutura e passa a se ligar ao DNA, ativando determinados genes. Na ausência de luz, retorna ao estado original. Os pesquisadores pretendem aproveitar esse mecanismo para desenvolver uma ferramenta que possa ser acionada apenas quando estiver presente na célula tumoral, aumentando a precisão da terapia.

Compostos químicos aumentam a eficiência do tratamento

Além do sistema de reconhecimento do DNA, a equipe acoplou à proteína pequenas moléculas capazes de degradar genes específicos.

Durante os experimentos, os pesquisadores avaliaram como alterações na estrutura química dessas moléculas influenciam sua capacidade de se ligar ao DNA.

Os testes mostraram que o comprimento dos chamados espaçadores, cadeias de carbono que conectam a proteína ao composto responsável pela degradação do DNA, interfere diretamente na eficiência da ligação.

Quando possuem o tamanho adequado, esses espaçadores permitem que a molécula se adapte melhor às fendas da dupla hélice do DNA, aumentando sua estabilidade e o tempo de permanência sobre o alvo genético.

Cobre pode ser usado para atacar apenas células tumorais

Outra estratégia da pesquisa envolve o uso de cobre, um metal essencial ao organismo. Enquanto alguns medicamentos atuais utilizam metais como a platina para impedir a multiplicação das células cancerosas, os pesquisadores da UFSC apostam no cobre por ser naturalmente utilizado pelo corpo humano.

Como os tumores apresentam intensa atividade metabólica, muitas células cancerosas acumulam maiores concentrações desse metal. A proposta consiste em utilizar moléculas que funcionam como um “ímã molecular”, capturando o cobre presente no ambiente tumoral. Esse metal ativa a capacidade de corte da proteína apenas quando ela alcança a célula doente, reduzindo significativamente o risco de danos aos tecidos saudáveis.

Primeiros resultados mostram seletividade do método

Nos primeiros testes realizados em laboratório, os pesquisadores produziram os híbridos moleculares e avaliaram sua capacidade de capturar cobre e degradar DNA. Os resultados indicaram que o mecanismo consegue atuar de forma específica sobre a sequência genética escolhida, preservando outras regiões do DNA.

A próxima etapa da pesquisa será testar essa tecnologia em células vivas e identificar quais genes relacionados ao câncer poderão ser silenciados utilizando essa abordagem.

Tecnologia ainda está em fase inicial

Embora os pesquisadores ressaltem que ainda estão distantes da criação de um medicamento, eles consideram que a estratégia representa uma abordagem inédita na pesquisa científica.

O avanço poderá abrir caminho para tratamentos cada vez mais personalizados, nos quais o combate ao câncer ocorra de maneira direcionada, reduzindo efeitos colaterais e aumentando a eficiência das terapias.

 

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