Encontro marca primeira visita oficial de Lula à Casa Branca durante governo Trump e sinaliza tentativa de aproximação entre Brasil e Estados Unidos
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se reuniu nesta quinta-feira (7) por cerca de três horas com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em sua primeira visita oficial à Casa Branca desde o início da atual gestão do republicano. O encontro entre Lula e Trump ocorreu em Washington e abordou temas estratégicos da relação bilateral, como tarifas comerciais, minerais críticos e cooperação no combate ao crime organizado.
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Após a reunião, estava prevista uma declaração conjunta no Salão Oval, mas a coletiva foi cancelada sem explicações por parte da Casa Branca ou do Palácio do Planalto.
Em conversa com jornalistas na embaixada brasileira, Lula afirmou ter saído satisfeito do encontro e comentou sobre as imagens em que aparece sorrindo ao lado do presidente norte-americano.
“Eu sempre acho que a fotografia vale muito. Eu fiz questão de dizer: ‘Ria’. É importante. Alivia. Alivia a nossa alma a gente rir um pouco”, declarou.
Trump também comentou o encontro em publicação na rede Truth Social, classificando a reunião como positiva.
“Acabei de concluir minha reunião com Luiz Inácio Lula da Silva, o dinâmico presidente do Brasil. Discutimos diversos temas, incluindo comércio e, mais especificamente, tarifas. A reunião foi muito boa”, escreveu.
O presidente norte-americano também afirmou que representantes dos dois países terão novos encontros nos próximos meses para discutir pontos considerados estratégicos.
Como foi o encontro entre Lula e Trump na Casa Branca
Lula chegou à Casa Branca por volta de 12h20 (horário de Brasília) e foi recepcionado por Trump na entrada da residência oficial.
A comitiva brasileira contou com os ministros:
- Márcio Rosa (Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços)
- Alexandre Silveira (Minas e Energia)
- Dario Durigan (Fazenda)
- Wellington César (Justiça e Segurança Pública)
- Mauro Vieira (Relações Exteriores)
Do lado americano participaram:
- Vice-presidente J.D. Vance
- Chefe de gabinete Susie Wiles
- Secretário de Comércio Howard Lutnick
- Secretário do Tesouro Scott Bessent
- Representante comercial Jamieson Greer
Inicialmente, os dois líderes falariam com a imprensa antes da reunião oficial, mas a ordem foi alterada a pedido da delegação brasileira.
Segundo apuração da BBC News Brasil, a mudança ocorreu após um episódio registrado durante encontro anterior entre os dois líderes na Malásia, em outubro de 2025, quando Lula demonstrou incômodo com o excesso de perguntas antes da reunião oficial.
Desta vez, os presidentes conversaram primeiro a portas fechadas por pouco mais de uma hora.
Após a reunião reservada, Trump levou Lula para um breve passeio pela área externa da Casa Branca, onde há retratos de ex-presidentes americanos.
Em seguida, os dois participaram de um almoço oficial.
Lula e Trump discutem tarifas comerciais e criam grupo de trabalho
O principal objetivo do governo brasileiro era evitar novas tarifas sobre produtos nacionais exportados para os Estados Unidos.
Segundo Lula, foi proposta a criação de um grupo técnico bilateral para negociar divergências comerciais e apresentar uma proposta em até 30 dias.
“Ele sempre acha que nós cobramos muito imposto”, afirmou Lula ao comentar as conversas com Trump.
O presidente brasileiro destacou que a tarifa média cobrada pelo Brasil sobre produtos americanos é de 2,7%.
“Quem tiver errado, vai ceder. Se a gente tiver que ceder, nós vamos ceder. Se vocês tiverem que ceder, vocês vão ter que ceder”, disse.
Minerais críticos entram na pauta entre Brasil e EUA
Outro tema importante da reunião entre Lula e Trump foi o interesse dos Estados Unidos nas reservas brasileiras de terras raras e minerais estratégicos.
O Brasil possui a segunda maior reserva mundial de terras raras, consideradas fundamentais para setores como:
- tecnologia
- produção de celulares
- computadores
- equipamentos militares
- transição energética
Lula afirmou que o Brasil está aberto a investimentos internacionais no setor mineral.
“Nós não temos preferência. Quem quiser participar conosco para nos ajudar a fazer a mineração e produzir riquezas está sendo convidado a ir ao Brasil”, declarou.
Combate ao crime organizado foi discutido
O governo brasileiro também buscava ampliar a cooperação com os EUA no combate ao crime organizado internacional.
Durante o encontro, integrantes da comitiva brasileira apresentaram ações contra:
- lavagem de dinheiro
- tráfico de armas
- narcotráfico
Apesar disso, Lula afirmou que não houve discussão sobre uma possível classificação de facções brasileiras como organizações terroristas.
Segundo ele, o tema não foi abordado por Trump.
Pix e eleições brasileiras ficaram fora da conversa
Outro tema sensível que não entrou oficialmente na pauta foi o Pix, sistema de pagamentos brasileiro que está sendo analisado por autoridades americanas.
“Ele não tocou no assunto do Pix, então eu também não toquei”, afirmou Lula.
O presidente brasileiro também negou ter discutido com Trump as eleições presidenciais brasileiras de outubro.
“Esse é um assunto brasileiro”, declarou.
Relação entre Lula e Trump passou por momentos de tensão
O encontro ocorre após meses de atritos diplomáticos entre os dois líderes.
Em 2025, Trump impôs tarifas de 50% sobre produtos brasileiros e fez críticas ao governo brasileiro.
Lula também acusou Trump de interferência externa e afirmou que o republicano agia como um “imperador”.
Apesar disso, a relação começou a melhorar após encontros nos bastidores da Assembleia Geral da ONU e uma conversa telefônica considerada positiva por ambos os governos.
O primeiro encontro formal entre os dois aconteceu em outubro de 2025, durante reunião da Associação das Nações do Sudeste Asiático, na Malásia.
A reunião desta quinta-feira representa um novo capítulo na tentativa de reaproximação entre Brasil e Estados Unidos.
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