O governo federal anunciou nesta terça-feira, dia 12, o lançamento do programa Brasil Contra o crime organizado, uma iniciativa que prevê o aporte de R$ 11,1 bilhões para fortalecer a segurança pública no país. O projeto, apresentado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, busca desarticular as estruturas financeiras e operacionais de facções criminosas e milícias. Do montante total anunciado no Palácio do Planalto, cerca de R$ 968,2 milhões são recursos diretos, enquanto R$ 10 bilhões serão viabilizados por meio de financiamentos destinados a estados e municípios.
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A estratégia surge em um momento de alta sensibilidade política, restando pouco mais de quatro meses para as eleições de 2026. Ao estabelecer uma agenda própria, o Executivo federal tenta responder às críticas da oposição e atender a uma das maiores demandas do eleitorado brasileiro. O foco principal do pacote é reduzir a influência dessas organizações ilegais sobre territórios e instituições, utilizando a inteligência e o monitoramento financeiro como ferramentas centrais.
Eixos de atuação do Brasil Contra o crime organizado
O programa está estruturado em quatro pilares fundamentais que visam atacar diferentes frentes da criminalidade estruturada. O primeiro e mais robusto deles foca na asfixia financeira, com um orçamento de R$ 302,2 milhões. O objetivo é rastrear e bloquear o patrimônio de grupos ilícitos, atingindo empresas e cadeias logísticas utilizadas para a lavagem de dinheiro. Para viabilizar essa meta, o governo planeja expandir o Comitê de Investigação Financeira e criar uma unidade nacional das Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado (Ficcos) para operações entre diferentes estados.
O segundo pilar dedica R$ 324,1 milhões ao Sistema Prisional Seguro. A intenção é neutralizar o poder de comando que as lideranças exercem de dentro das unidades de detenção. Entre as medidas práticas, estão o bloqueio de sinal de telefonia móvel e a implementação de padrões de segurança máxima em 138 presídios considerados estratégicos. A criação de um Centro Nacional de Inteligência Penal também está prevista para monitorar o fluxo de informações e impedir a entrada de armamentos e dispositivos de comunicação.
Investigação de homicídios e controle de armamentos
Além do foco em economia e cárcere, o pacote destina R$ 196,7 milhões para elevar a taxa de elucidação de mortes violentas no Brasil. Atualmente, o país esclarece apenas 36% dos homicídios, um número significativamente inferior à média global. O investimento será aplicado na modernização de polícias científicas, Institutos Médico-Legais e no fortalecimento de bancos de perfis genéticos, buscando integrar os dados estaduais em um sistema nacional de análise balística.
Por fim, o combate ao tráfico de armas receberá R$ 145,2 milhões. O plano foca intensamente na vigilância de fronteiras e no rastreamento da origem de dispositivos bélicos que abastecem o mercado ilegal. A ideia é criar uma Rede Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Armas para facilitar a cooperação entre esferas federais, estaduais e municipais.
Impacto na percepção de segurança e adesão estadual
A urgência do programa é reforçada por dados que revelam o temor da população. Levantamentos indicam que mais de 40% dos brasileiros maiores de 16 anos percebem a presença de milícias ou facções em seus bairros. Além disso, cerca de 57% dos cidadãos afirmam ter modificado seus hábitos cotidianos devido ao medo da violência urbana.
A execução plena das ações dependerá da cooperação dos governadores. Os estados que optarem por aderir ao programa terão acesso privilegiado aos recursos e às linhas de crédito para tecnologia e inteligência. Com essa medida, a gestão federal busca assumir a coordenação estratégica da segurança pública nacional, respeitando a autonomia das polícias militares e civis, mas oferecendo suporte estrutural para o enfrentamento das organizações criminosas em todo o território.
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