InícioGeralSociedade19 estados não repassaram dados suficientes sobre violência contra a mulher

19 estados não repassaram dados suficientes sobre violência contra a mulher

Publicado em

Publicidade

Dos vinte e sete estados brasileiros, dezenove (incluindo o Distrito Federal) deixaram de fornecer dados sobre os índices estaduais de violência contra a mulher. A recusa viola a Lei Nº 12.527/2011, também conhecida como Lei de Acesso à Informação (LAI). 

Dentre os estados que não forneceram os dados relevantes, Acre, Santa Catarina e Paraíba negaram totalmente o acesso aos indicadores estaduais, enquanto os estados do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Distrito Federal sequer responderam às solicitações de envio de dados à União.

Desde a realização do pedido, somente os estados do Amapá, Amazonas Ceará, Espírito Santo, Pará, Rondônia, Roraima e São Paulo enviaram os dados completos conforme solicitação para a pesquisa. Além dos estados antes mencionados, Alagoas, Bahia, Maranhão, Minas Gerais, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul e Tocantins mandaram dados escassos ou insuficientes.

Os pedidos de dados sobre violência contra a mulher no Brasil foram realizados pela associação Gênero e Número em meados de 2022. Os indicadores estaduais seriam utilizados em uma pesquisa em parceria entre o Observatório da Mulher contra a Violência (OMV), do Senado Federal, a associação Gênero e Número e o Instituto Avon.

Em entrevista à EBC, a coordenadora do OMV, Maria Teresa Prado, disse que o órgão buscou entrar em contato com os senadores dos estados que não cooperaram com o levantamento de dados para pedir um reforço junto às secretarias estaduais, mas não obteve sucesso até o momento.

Pesquisa

A parceria entre os órgãos públicos e privados nasceu da necessidade de unificar, organizar, analisar e monitorar estatísticas públicas sobre violência contra a mulher no âmbito brasileiro. A Lei de Acesso à Informação garante que é dever do Estado garantir o direito de acesso à informação, mediante procedimentos objetivos e ágeis, de forma transparente, clara e em linguagem de fácil compreensão.

Os indicadores solicitados pela Gênero e Número dizem respeito à segurança pública, especialmente, dos registros de ocorrência e feminicídios, e ainda das chamadas para a Polícia Militar de cada estado. Todas essas informações deveriam ser de conhecimento público assegurado pela LAI, o que não aconteceu. 

O projeto constatou que o mapeamento de dados dos estados brasileiros seria uma forma de garantir a transparência e disponibilidade de bases sobre a violência contra as mulheres nos setores da saúde, segurança pública e justiça, para assim assegurar o cumprimento da LAI.

“A gente quer trabalhar a qualidade desses dados gerais de violência contra mulher para que eles sejam melhorados. É nessa linha que a gente quer trabalhar com essa parceria”, pontuou a coordenadora do OMV, Maria Teresa Prado, em entrevista à Agência Brasil.

Segundo a coordenadora de Projetos, Pesquisa e Impacto do Instituto Avon, Beatriz Accioly, o recebimento dessas informações tornará possível compreender o cenário brasileiro em relação à violência contra a mulher. Accioly acrescentou, ainda, que a consolidação de dados já ocorreu com o DataSUS em relação à saúde da mulher, mas as informações relativas à segurança pública ainda não têm uma plataforma de acesso fácil à população geral.

Dificuldades

A coordenadora do Observatório da Mulher contra a Violência aponta que há diversos impedimentos que dificultam a coleta dos dados sobre a violência contra a mulher no Brasil. As informações muitas vezes são registradas de forma incompleta desde o começo, e cada estado possui uma maneira distinta de organizar os indicadores. A falta de padronização desses dados já causa divergências.

De acordo com os pesquisadores, a coleta seria mais fácil se os estados brasileiros tivessem uma padronização de caráter nacional. Maria Teresa lembrou que, em 2021, a lei que criou a Política Nacional de Dados e Informações Relacionadas à Violência contra as Mulheres (PNAINFO) foi aprovada, mas ainda precisa de regulamentação para entrar em vigor.

Segundo o OMV, os dados de feminicídio são altos, mesmo com a subnotificação em diversas fases. Se os dados fossem divulgados de forma adequada, o problema se mostraria muito maior.

Leia mais:

Serviço em Manaus fornece terapia e orientação jurídica para mulheres vítimas de violência

Cai para 22% o número de mulheres vítimas de crimes violentos no Amazonas

Mais de 3 mil mulheres foram vítimas de violência no AM em 2022



Últimas Notícias

Donald Trump compartilha artigo que aponta eleição no Brasil como próximo teste para sua influência

Publicação compartilhada pelo presidente norte-americano analisa o cenário político na América Latina e menciona...

Governo mobiliza R$ 140 bilhões para impulsionar a Nova Indústria Brasil

O Governo Federal anunciou um robusto pacote de investimentos superior a R$ 140 bilhões...

Selo Unicef mobiliza Sedurb e municípios do Amazonas para cumprir metas até 2028

A preparação para as próximas etapas do Selo Unicef no Amazonas entrou em uma...

Manaus amplia ecobarreiras para reduzir lixo nos rios e proteger o Rio Negro

A expansão das ecobarreiras se tornou uma das principais estratégias da Prefeitura de Manaus...

Mais como este

Donald Trump compartilha artigo que aponta eleição no Brasil como próximo teste para sua influência

Publicação compartilhada pelo presidente norte-americano analisa o cenário político na América Latina e menciona...

Governo mobiliza R$ 140 bilhões para impulsionar a Nova Indústria Brasil

O Governo Federal anunciou um robusto pacote de investimentos superior a R$ 140 bilhões...

Selo Unicef mobiliza Sedurb e municípios do Amazonas para cumprir metas até 2028

A preparação para as próximas etapas do Selo Unicef no Amazonas entrou em uma...