Ministro contesta relatório da Polícia Federal, acusa André Mendonça de direcionar a investigação e levanta hipótese de participação de órgão estrangeiro
Alexandre de Moraes negou irregularidades no caso Master e classificou a investigação contra ele como ilegal e motivada por interesses político-eleitorais. Em defesa enviada ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, o ministro também levantou a hipótese de participação de um órgão estrangeiro na produção do relatório da Polícia Federal e associou o episódio a uma tentativa de interferência nas eleições de 2026.
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A manifestação, com 44 páginas e 121 tópicos, foi apresentada nesta segunda-feira (14). Moraes sustenta que a apuração não encontrou indícios de que ele tenha recebido antecipadamente informações sobre a operação que levou à prisão de Daniel Vorcaro, procurado autoridades, vazado dados ou praticado atos para favorecer o empresário ou o Banco Master.
O ministro pede a nulidade do relatório produzido pela PF e afirma que as acusações fazem parte de uma tentativa de “vingança” relacionada às condenações pela trama golpista.
Defesa de Moraes no caso Master questiona relatório da PF
Um dos principais argumentos apresentados por Moraes é o questionamento sobre a origem e a integridade do relatório policial. O ministro afirma que houve quebra da cadeia de custódia do material analisado e sustenta que o documento não teria sido produzido integralmente dentro da Polícia Federal.
Na manifestação, ele levanta a possibilidade de auxílio de um órgão externo, “provavelmente órgão estrangeiro”. Moraes relaciona essa hipótese a uma tentativa de interferência externa nas eleições brasileiras de 2026.
Para o ministro, o relatório seria “imprestável” como prova por não permitir a verificação segura da origem e da integridade dos dados. Moraes também afirma que os metadados indicariam que o documento foi aberto e finalizado no mesmo dia nos computadores da PF, ponto usado por ele para voltar a levantar a possibilidade de participação de agentes externos.
A alegação aparece como hipótese apresentada pelo próprio ministro. Moraes não identifica qual seria o suposto órgão estrangeiro nem apresenta, nesse trecho, prova conclusiva de participação externa.
Moraes acusa Mendonça de direcionar investigação
A atuação de André Mendonça também ocupa parte central da defesa. Moraes acusa o ministro do STF de direcionar a investigação ao determinar diligências envolvendo um integrante da Corte sem pedido da Polícia Federal, sem manifestação prévia da Procuradoria-Geral da República e sem autorização do Plenário.
Na avaliação de Moraes, eventuais indícios contra um ministro do Supremo deveriam ter sido enviados à Presidência da Corte, para posterior encaminhamento à PGR e ao colegiado.
A manifestação cita ainda relatórios internos da Polícia Federal que, segundo Moraes, indicariam interesse de Mendonça na abertura de uma investigação formal contra ele. O ministro afirma que o colega teria solicitado mais de uma vez que policiais apresentassem alguma provocação capaz de permitir o avanço da apuração.
Moraes sustenta que o direcionamento também teria atingido o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. A defesa acusa Mendonça de agir por motivos pessoais e políticos e afirma que houve tentativa de incluir os dois em tratativas de colaboração premiada mesmo sem indícios mínimos de crime.
Prisão de Vorcaro é usada para contestar hipótese de vazamento
Moraes também rejeita a possibilidade de ter recebido informações antecipadas sobre a Operação Compliance Zero ou atuado para favorecer Daniel Vorcaro. Segundo sua manifestação, não há registro de contato dele com autoridades responsáveis pela operação.
A defesa cita as próprias circunstâncias da prisão do banqueiro para contestar a hipótese de vazamento. Vorcaro foi detido no Aeroporto de Guarulhos com passaporte verdadeiro e estava com o próprio telefone, que posteriormente passou a integrar as investigações.
Para Moraes, esses elementos indicariam que o empresário não tinha conhecimento da existência do mandado contra ele.
O ministro também contesta a interpretação das anotações encontradas no celular de Vorcaro. Das 52 notas analisadas, afirma a defesa, 47 não teriam sido localizadas em conversas no WhatsApp.
Moraes sustenta ainda que não existe mensagem de sua autoria que indique favorecimento, consultoria jurídica ou conhecimento antecipado da operação policial. Ele afirma que jamais julgou processo relacionado ao Banco Master ou a Daniel Vorcaro e que não existe decisão ou ato de ofício seu envolvendo o banco ou o empresário.
STF analisa pedido para anular relatório
A defesa foi protocolada na Petição 16.704, aberta pela Presidência do Supremo. Moraes ressalta, porém, que as informações apresentadas tratam especificamente da Petição 16.662.
O processo será analisado pelo Plenário do STF em sessão extraordinária nesta terça-feira (15), às 10h. O julgamento terá como foco o pedido da Procuradoria-Geral da República para anular o relatório produzido pela Polícia Federal e extinguir a petição.
A Petição 16.662 havia sido inicialmente conduzida por André Mendonça e surgiu a partir de informações produzidas nas investigações sobre o Banco Master. No sábado (12), Edson Fachin determinou que o processo passasse para a Presidência do Supremo.
Nos trechos finais de sua manifestação, Moraes endurece as críticas. Afirma que, apesar da “farsa montada e divulgada”, não existe elemento que comprove a prática de infração penal e relaciona as acusações a uma tentativa de vingança pelas condenações da trama golpista.
O ministro sustenta ainda que a tentativa de golpe de Estado não teria terminado em 8 de janeiro de 2023, mas apenas mudado de método. Na defesa, afirma que o Supremo deverá novamente “resistir” para defender a Constituição, o Estado de Direito e a democracia.
Leia na íntegra a defesa do ministro
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