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Em conversa no G7, Lula afirma: “Nunca fui um esquerdista”

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Durante diálogo informal com líderes internacionais na França, presidente brasileiro rejeitou rótulo político e defendeu “caminho do meio”

Durante a Cúpula do G7, realizada na França, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou em uma conversa informal com autoridades estrangeiras que nunca fui um esquerdista. De acordo com o chefe de Estado brasileiro, o rótulo associado à sua trajetória política foi atribuído por terceiros, e suas vitórias eleitorais ao longo dos anos não devem ser interpretadas necessariamente como um triunfo da esquerda política.

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O diálogo foi registrado pela agência de notícias AFP durante o momento de chegada das autoridades para o evento. Lula conversava com o chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, e com a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva-Kinova, enquanto os três aguardavam o início oficial da reunião de cúpula.

Alternância de poder e o cenário político global

No trecho capturado pelas gravações, o presidente brasileiro argumentou que a conjuntura política mundial, historicamente, não demonstra favoritismo por partidos de esquerda. Para ilustrar seu ponto de vista, Lula citou os históricos de alternância de poder em grandes potências ocidentais.

“Nos Estados Unidos, os Republicanos ficaram mais [no poder] do que os Democratas. Na França, também, os socialistas têm bem menos tempo de governo. Ou seja, o que isso prova? Que o mundo não é de esquerda. O mundo é do caminho do meio”, declarou o mandatário.

Ao ser questionado pelos interlocutores se a conquista de seus três mandatos presidenciais representaria uma exceção a essa regra global, o presidente foi enfático ao reiterar que não se identifica com a vertente tradicional da esquerda.

Influência do sindicalismo europeu e rejeição ao marxismo

Ainda durante a explicação, Lula pontuou que suas referências ideológicas e bases de formação política não estão fundamentadas no marxismo. O presidente destacou que sua trajetória foi construída a partir do diálogo e da proximidade com movimentos sindicais social-democratas do continente europeu.

“Eu era um dirigente sindical com belíssima relação com o sindicalismo alemão. Muito forte com a Alemanha. Tinha uma relação muito boa com o sindicalismo italiano. Tinha uma relação boa com a UGT [Unión General de Trabajadores] da Espanha”, detalhou o chefe de governo.

Episódio histórico de 1980 e rótulo na imprensa

Para contextualizar sua posição, o presidente relembrou um fato ocorrido no ano de 1980. Na ocasião, Lula havia sido convidado para participar de um congresso na União Soviética, mas não pôde comparecer ao bloco oriental por ter sido condenado no Brasil sob a Lei de Segurança Nacional, vigente durante o período do regime militar.

Em decorrência do impedimento, o então líder sindical realizou uma viagem por nações europeias com o objetivo de angariar solidariedade internacional à sua causa. Segundo o relato do presidente, a ausência no evento soviético e a agenda na Europa Ocidental fizeram com que, ironicamente, ele passasse a ser retratado pela imprensa da época sob uma ótica estritamente anticomunista e de direita.

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