O cenário diplomático internacional ganhou um novo desdobramento nesta semana durante a cúpula do G7. O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, assentiu com a oferta do presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, para colaborar nas articulações que visam estabelecer a paz na Ucrânia. O anúncio foi feito nesta sexta-feira (19) por Dmytro Lytvyn, assessor de comunicação da presidência ucraniana, sinalizando uma mudança na postura de Kiev em relação às iniciativas propostas pelo governo do Brasil.
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O encontro bilateral ocorreu à margem da reunião de cúpula realizada na cidade francesa de Évian-les-Bains. Na ocasião, o líder ucraniano reforçou o apelo aos países aliados por uma maior pressão sobre a Rússia, buscando encerrar o conflito que já ultrapassa a marca de quatro anos de duração.
A estratégia brasileira no Conselho de Segurança da ONU
Durante as deliberações em território francês, os dois chefes de Estado avaliaram mecanismos capazes de reaquecer os canais diplomáticos paralisados. A contribuição de Lula envolve a interlocução direta com os membros permanentes do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU). O plano prevê que, a partir desses diálogos preliminares, as duas nações busquem denominadores comuns para apresentar resultados concretos em reuniões futuras.
O governo ucraniano preserva laços diplomáticos estreitos com três dos integrantes fixos do comitê de segurança: Estados Unidos, França e Reino Unido. O grupo permanente é completado por China e Rússia, esta última envolvida diretamente no embate militar. Lula ressaltou, em entrevista coletiva, que já manteve conversações prévias com os líderes de todas as cinco potências do Conselho e que pretende retomar os contatos nos próximos dias.
Impasse nas negociações anteriores e o atual cenário global
A aceitação da intermediação brasileira ocorre em um momento de estagnação das tentativas anteriores de pacificação. Uma rodada de conversas conduzida sob a mediação de Washington no primeiro semestre perdeu tração devido à exigência russa de concessões territoriais por parte de Kiev, condição rejeitada de forma veemente pela administração de Zelensky.
Diante do travamento dessas tratativas e com a atenção do governo norte-americano parcialmente voltada para as tensões envolvendo o Irã, a diplomacia ucraniana busca diversificar seus interlocutores para reerguer a mesa de negociações. Anteriormente, Zelensky havia solicitado ao presidente Donald Trump a retomada dos esforços mediados pelos Estados Unidos, sugerindo uma reunião presencial com Vladimir Putin, hipótese refutada pelo mandatário russo.
Em pronunciamento à imprensa após o encerramento do G7, o presidente brasileiro relembrou que as propostas de mediação do Brasil não haviam despertado interesse prioritário de Kiev no passado, celebrando a mudança de posicionamento do governo ucraniano como um avanço para o diálogo multilateral.
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