Encontro na FIEAM reuniu diplomatas e empresários europeus para prospectar investimentos em tecnologia de ponta e parcerias na Zona Franca.
A Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam) recebeu, na última sexta-feira (17), uma delegação oficial da Hungria formada por representantes diplomáticos e empresários do setor de indústria de defesa. O encontro ocorreu no auditório Engels Medeiros, em Manaus, e teve como foco ampliar a cooperação industrial, tecnológica e estratégica entre o Amazonas e o país europeu, especialmente na indústria de defesa.
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A comitiva foi liderada pelo embaixador da Hungria no Brasil, Miklós Halmai, e contou com representantes de empresas como Eternum, eCon Engineering, Loxolock e Colloid Science, além da adida comercial da Embaixada da Hungria em Brasília, Kinga Somogyi. Ao todo, oito integrantes participaram da agenda institucional, voltada à prospecção de parcerias de longo prazo.
Durante a abertura, o presidente da Fieam, Antonio Silva, destacou o papel da Zona Franca de Manaus (ZFM) como ambiente estratégico para atração de investimentos e desenvolvimento de projetos de alta tecnologia. O encontro também reuniu lideranças industriais, representantes de entidades de classe e integrantes do Conselho da Indústria de Defesa da Amazônia (Condefesa).
Indústria de defesa ganha força no Amazonas
O diretor executivo do Condefesa, general Omar Zendim, apresentou um panorama do setor na região. Segundo ele, o conselho atua na integração da base industrial local às demandas nacionais e das Forças Armadas, incentivando inovação, pesquisa e desenvolvimento tecnológico.
Zendim destacou que o segmento vem registrando crescimento acelerado. Em pouco mais de um ano, o número de empresas estratégicas de defesa no Amazonas passou de duas para nove, com outras em processo de credenciamento. Esse avanço é impulsionado pelo potencial do Polo Industrial de Manaus (PIM), que reúne competências em áreas como tecnologia da informação, indústria naval, eletrônica e logística.
Entre os projetos em andamento estão o desenvolvimento de drones, produção de placas eletrônicas e soluções voltadas à inteligência artificial, cibersegurança e sistemas autônomos, considerados estratégicos tanto para o Brasil quanto para parceiros internacionais.
Tecnologias húngaras chamam atenção no setor de defesa
Durante a reunião, as empresas húngaras apresentaram soluções tecnológicas aplicáveis aos setores de defesa, espaço e segurança. Entre os destaques estão sistemas não tripulados, veículos blindados, engenharia avançada e aplicações em inteligência artificial.
Uma das inovações que mais chamou atenção foi o CORE (Combat Operational Recovery and Endurance), desenvolvido pelas empresas Eternum e Colloid Science. A tecnologia é voltada ao desempenho humano em ambientes extremos, combinando conceitos de biologia quântica, nanotecnologia e biomimetismo.
O sistema funciona como um suplemento de alta densidade nutricional, capaz de substituir refeições completas em cenários operacionais. Além disso, inclui protocolos específicos para preparação, missão e recuperação, com rápida absorção e alta biodisponibilidade, contribuindo para a manutenção do desempenho físico e cognitivo em situações de estresse.
Embora inicialmente desenvolvido para aplicações militares e espaciais, o CORE também apresenta potencial de uso em áreas como segurança pública, missões de resgate e exploração espacial.
Foco em cooperação industrial de longo prazo
De acordo com os representantes da delegação, o objetivo vai além de relações comerciais pontuais. A proposta é construir uma cooperação estruturada e duradoura, com possibilidade de instalação de unidades produtivas no Brasil, especialmente em Manaus.
O embaixador Miklós Halmai ressaltou o potencial da parceria e destacou o papel da Fieam na aproximação entre os países. Ele também mencionou que acordos internacionais, como o tratado entre União Europeia e Mercosul, podem ampliar oportunidades comerciais e tecnológicas.
Do lado brasileiro, representantes do setor industrial reforçaram que a Zona Franca de Manaus oferece segurança jurídica, incentivos fiscais e infraestrutura consolidada, fatores que favorecem novos investimentos. O polo abriga grandes fabricantes globais e possui uma cadeia produtiva robusta, com capacidade de integração a projetos da indústria de defesa.
Ao final do encontro, ficou sinalizada a intenção de avançar nas negociações em novas rodadas, com participação ampliada de empresas, instituições e órgãos governamentais. A expectativa é identificar projetos conjuntos e formalizar parcerias estratégicas.
A visita da delegação húngara faz parte de uma missão bilateral mais ampla, que busca estabelecer um eixo de cooperação entre Europa e América do Sul nas áreas de defesa, inovação, segurança e tecnologia, com foco em resultados de longo prazo.
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