InícioAmazôniaBR-319: a polêmica reação de Plínio ao alerta científico

BR-319: a polêmica reação de Plínio ao alerta científico

Publicado em

Publicidade

O senador Plínio Valério (PSDB-AM) perdeu a compostura ao expressar sua opinião sobre o alerta científico de risco de disseminação de doenças de origem animal devido ao reasfaltamento de um trecho da BR-319 que liga Manaus a Porto Velho. “Imbecis, babacas e cientistas de bosta” foram os adjetivos atribuídos aos pesquisadores Lucas Ferrante e Guilherme Becker, que publicaram um artigo científico na revista Nature, alertando para o risco de novas pandemias ligado diretamente à BR-319.

“Dentre as imbecilidades que a gente ouve sobre a Amazônia, e sempre tem imbecis, cientistas que se dizem cientistas, falando bobagem, falando besteira. A Amazônia já foi condenada. Disseram que no ano 2000 não passava de um areal. Nada disso é cobrado depois”, declarou Plínio. “Olha só o que eles querem atribuir ao asfaltamento da rodovia amazônica: o surgimento de novas pandemias”, disse o senador ao citar o estudo científico.

A BR-319 e o risco de novas pandemias

De acordo com o estudo, além de ser uma tragédia do ponto de vista climático, a pavimentação da BR-319 conduzirá a Amazônia a um ponto de não retorno, desencadeando não apenas uma, mas uma série de pandemias globais devido aos saltos zoonóticos. Acontece que a área abriga um ecossistema de vírus, bactérias, fungos, parasitas e até príons estocados naturalmente e esses podem ser transmitidos aos humanos por meio de contato direto, através de alimentos, água ou meio ambiente.

“Quando esses patógenos conseguem infectar e se adaptar para se espalhar entre os seres humanos, ocorre o salto zoonótico, resultando no surgimento de novas doenças infecciosas que afetam as populações humanas”, afirma Lucas Ferrante, autor do estudo.

A exploração de petróleo e o aumento do desmatamento, frutos da utilização da rodovia também podem agravar as mudanças climáticas, conduzindo o bioma ao ponto de não retorno e as consequências serão globais. Somadas as condições de mudanças climáticas e a liberação dos patógenos letais, atualmente isolados na floresta, o estudo alerta para o risco de uma sequência de epidemias e pandemias mais graves do que a COVID-19.

Leia mais:
Pesquisadores fazem expedição em busca de peixes-elétricos na Amazônia
Explicando: floresta amazônica pode colapsar até 2050
MPF pede suspensão urgente de licença para explorar gás no AM

Siga nosso perfil no Instagram e curta nossa página no Facebook

spot_img

Últimas Notícias

Prefeito Renato Junior vistoria obras do parque Encontro das Águas Rosa Almeida e destaca potencial turístico

Com 70% de execução, projeto na zona Leste inclui Oca Niemeyer e tem conclusão...

Petróleo no Oiapoque acelera expansão urbana e dispara expectativa por empregos

A expectativa em torno do petróleo na Foz do Amazonas já está transformando Oiapoque,...

Meta enfrenta julgamento que pode mudar Facebook e Instagram para jovens

Ação movida por 29 Estados americanos acusa a empresa de criar recursos para aumentar...

Relatório reúne 37 soluções para reduzir emissões de metano no Brasil

País é o quinto maior emissor de metano do mundo, segundo dados do Observatório...

Mais como este

CNA e Federações percorrem BR-319 e avaliam desafios logísticos do Norte do país

Expedição percorreu mais de 889 quilômetros entre Porto Velho e Manaus, com visitas a...

Pílulas do Poder: Lula até tenta, mas continua pregando para convertido

Na abertura da campanha à reeleição, no domingo (16), Lula escolheu o passado. O...

BR-319 tem interdições temporárias para manutenção de ponte no Amazonas

Bloqueios no km 370,70 ocorrem em dois períodos por dia até quinta-feira (20), enquanto...