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Conservadora Keiko Fujimori vence eleição presidencial no Peru

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A candidata conservadora Keiko Fujimori abriu uma vantagem considerada irreversível pela autoridade eleitoral peruana e está prestes a assumir a Presidência do Peru pela primeira vez. Embora o resultado oficial ainda dependa da conclusão da apuração e da análise de recursos apresentados pelas campanhas, os números divulgados pela Justiça Eleitoral indicam que a diferença já não pode mais ser revertida matematicamente.

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Com quase a totalidade dos votos contabilizados, Keiko registrava 50,11% dos votos válidos, enquanto o candidato de esquerda Roberto Sánchez aparecia com 49,88%. A distância entre os dois ultrapassava 43 mil votos, número superior ao total de cédulas restantes a serem apuradas.

A confirmação da vitória representará um marco político para a líder conservadora, que disputou a Presidência em outras três oportunidades sem sucesso e agora alcança o objetivo de chegar ao principal cargo do país.

Keiko Fujimori amplia vantagem e se aproxima da Presidência

Os dados divulgados pela Oficina Nacional de Processos Eleitorais (ONPE) apontam que a disputa permaneceu apertada durante praticamente toda a contagem. No entanto, a reta final consolidou uma vantagem suficiente para garantir a liderança de Keiko Fujimori.

Apesar do cenário favorável à candidata, a proclamação oficial ainda depende do encerramento da apuração e da análise de questionamentos apresentados pelas campanhas junto às autoridades eleitorais.

A demora na oficialização do resultado ocorreu justamente pela diferença reduzida entre os candidatos e pela necessidade de examinar votos contestados, além das atas eleitorais enviadas por peruanos residentes no exterior.

Candidato da esquerda questiona resultado

O clima político ficou ainda mais tenso após declarações de Roberto Sánchez. Na terça-feira (23), o candidato afirmou que existiria uma suposta fraude em andamento no processo eleitoral, mas não apresentou provas para sustentar a acusação.

Sánchez também declarou que não reconheceria um eventual governo de Keiko Fujimori caso fossem mantidos os votos dos peruanos que vivem fora do país. Segundo ele, os votos do exterior favoreceram majoritariamente a candidata conservadora.

A campanha de esquerda solicitou a anulação de milhares de votos registrados fora do Peru, mas o pedido acabou rejeitado pelo júri eleitoral responsável pelo caso.

Vitória pode reforçar avanço da direita na América Latina

Se confirmada oficialmente, a eleição de Keiko Fujimori fortalece um movimento de crescimento de governos alinhados à direita em parte da América Latina.

O cenário ocorre poucos dias após a vitória do direitista Abelardo De La Espriella na Colômbia e amplia a presença de governos conservadores ou de centro-direita na região.

De acordo com o levantamento citado durante o processo eleitoral, a direita passaria a governar sete dos 12 países considerados na análise regional. Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador e Paraguai já possuem governos classificados nesse campo político.

Por outro lado, Brasil, Uruguai, Guiana, Suriname e Venezuela permanecem sob administrações identificadas com a esquerda ou centro-esquerda.

A mudança contrasta com o cenário observado em 2010, período marcado pela chamada “onda rosa”, quando a maioria dos países sul-americanos era governada por líderes de esquerda.

Desafios de um país marcado pela instabilidade

Ao assumir o comando do Peru, Keiko Fujimori encontrará um país que enfrenta forte turbulência política há vários anos.

Nos últimos oito anos, o país teve oito presidentes diferentes e nenhum deles conseguiu concluir integralmente o mandato. Além disso, parte dos ex-chefes de Estado responde a processos judiciais ou chegou a cumprir pena de prisão.

O Peru também enfrenta desafios ligados às desigualdades econômicas entre a capital Lima e as regiões mais afastadas, além de uma crescente desconfiança da população em relação à classe política.

Durante a campanha, Keiko apostou em propostas voltadas para segurança pública, combate à criminalidade e estabilidade institucional. A candidata também reforçou sua ligação com o legado político de seu pai, o ex-presidente Alberto Fujimori, que governou o país na década de 1990 e cumpriu 16 anos de prisão por violações de direitos humanos.

Diferentemente de eleições anteriores, quando buscava se afastar da imagem do fujimorismo, Keiko passou a defender com mais clareza a herança política de seu pai, apresentando-se como uma liderança capaz de restaurar a ordem e enfrentar a crise de confiança vivida pelo Peru.

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