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Novo mapa divide Brasil em 48 zonas para guiar a restauração ecológica

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Um estudo científico inédito promete transformar as ações de recomposição vegetal no país diante do avanço das mudanças climáticas. Pesquisadores mapearam o território nacional em 48 Zonas de Transferência de Sementes (ZTS), regiões que compartilham características similares de solo e clima. O objetivo do mapeamento, liderado pelo Redário e parceiros, é orientar a restauração ecológica de forma que os novos plantios de espécies nativas sejam resilientes às transformações ambientais previstas para as próximas décadas.

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Conduzido pelo pesquisador Mateus Silva, da Universidade de Exeter, o estudo projeta essas zonas em cenários climáticos futuros, tanto otimistas quanto pessimistas. Ao cruzar os dados atuais e as projeções, a ferramenta indica de onde as sementes devem ser coletadas para garantir maior taxa de germinação e sobrevivência em cada localidade. A análise revela um dado preocupante: mais da metade do território brasileiro tende a enfrentar graves alterações no clima até o ano 2100, e muitas das áreas afetadas ainda não possuem oferta estruturada de sementes nativas no mercado.

O impacto das zonas de transferência no manejo de sementes

De acordo com os idealizadores do projeto, a iniciativa quebra o paradigma tradicional de que a semente coletada no local do plantio é sempre a escolha mais segura. Com as mudanças climáticas em curso, a performance das espécies exige uma abordagem que combine inteligência ecológica e variabilidade genética.

O novo mapeamento responde com precisão teórica a distância ideal para a coleta de sementes no cenário atual. Para o planejamento de longo prazo, a recomendação é misturar sementes da zona climática atual com sementes de regiões correspondentes ao clima futuro de 2060 ou 2100, aumentando as chances de sucesso dos reflorestamentos.

Tecnologia e inclusão social na restauração ecológica

Os mapas gerados pelo estudo serão integrados aos sistemas operacionais e de rastreabilidade do Redário, uma articulação nacional que interliga 37 redes de coletores. Essa rede engloba mais de 3 mil profissionais, incluindo povos indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais e agricultores familiares.

Uma plataforma digital pública está sendo desenvolvida em parceria com o Centro de Referência em Informação Ambiental (CRIA), Associação Nativas Brasil e WWF-Brasil. O sistema disponibilizará dados georreferenciados das zonas de sementes e mapas de ocorrência de 1.200 espécies nativas, indicando onde encontrar os fornecedores.

A iniciativa conta com o apoio de fundações internacionais e empresas do setor florestal e de carbono. Especialistas do comitê gestor do Redário apontam que o mapeamento oferece uma oportunidade para que grandes projetos e políticas públicas alinhem ciência e impacto em escala, fortalecendo a economia da sociobiodiversidade no Brasil.

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