Operação das forças federais ultrapassa 90 dias e intensifica ações para impedir o retorno de garimpeiros ilegais ao território indígena em Mato Grosso
O combate ao garimpo ilegal na Terra Indígena Sararé, em Mato Grosso, ganhou uma nova frente de atuação com a destruição de estruturas subterrâneas utilizadas para manter a exploração clandestina de ouro. Após mais de 90 dias de operação, as forças federais ampliaram as ações de inteligência e já inutilizaram 35 bunkers e iniciaram a destruição de 33 túneis escavados para ocultar equipamentos e dificultar a fiscalização.
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A ofensiva faz parte da operação de desintrusão coordenada pelo Governo Federal, que reúne equipes da Força Nacional de Segurança Pública (FNSP), Polícia Federal (PF), Polícia Rodoviária Federal (PRF), Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai).
Segundo os órgãos envolvidos, a estratégia atual busca não apenas retirar invasores, mas impedir que eles retomem as áreas já desocupadas. Para isso, além da destruição de maquinário pesado, as equipes passaram a eliminar toda a infraestrutura clandestina instalada pelos garimpeiros.
Garimpo ilegal perde estruturas usadas para esconder equipamentos
Os bunkers eram utilizados para ocultar motores, ferramentas e outros equipamentos empregados na extração ilegal de ouro. Já os túneis subterrâneos permitiam que a atividade continuasse de forma mais discreta, reduzindo as chances de identificação pelas equipes de fiscalização.
A destruição dessas escavações está sendo realizada pelo grupo especializado em bombas e explosivos da Polícia Federal.
De acordo com o delegado da PF Rodrigo Vitorino, o procedimento começa com uma inspeção para verificar as condições de segurança do local. Em seguida, o solo é perfurado para a instalação de explosivos que provocam o colapso das galerias subterrâneas.
“O trabalho é realizado pelo grupo especializado em bombas e explosivos da Polícia Federal. Inicia-se com a inspeção de segurança dos túneis e a perfuração do solo para a implantação dos explosivos, a fim de provocar o colapso dos túneis. É uma fase importante da operação, pois visa impedir o retorno dos garimpeiros ilegais”, afirmou o delegado.
Operação amplia prejuízo à estrutura criminosa
O coordenador-geral da desintrusão, Nilton Tubino, explicou que a operação passou a atuar simultaneamente em duas frentes. Enquanto novas incursões são realizadas em áreas ainda ocupadas por garimpeiros, as equipes trabalham para inviabilizar qualquer tentativa de retomada das regiões já fiscalizadas.
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Segundo ele, a destruição dos túneis, bunkers, máquinas pesadas e demais equipamentos busca desmontar completamente a estrutura logística criada para sustentar o garimpo dentro da terra indígena.
Desde o início da operação, o prejuízo estimado às organizações criminosas ultrapassa R$ 100 milhões.

Entre os materiais apreendidos ou destruídos estão 3,8 toneladas de explosivos, 199 acampamentos, 829 motores utilizados na atividade garimpeira, 34 escavadeiras hidráulicas e diversos outros equipamentos empregados na exploração ilegal de ouro.
Terra Indígena Sararé enfrenta avanço da mineração clandestina
A Terra Indígena Sararé abriga 201 indígenas do povo Nambikwara, distribuídos em sete aldeias. O território possui cerca de 67 mil hectares e foi homologado em 1985.
Segundo o Governo Federal, aproximadamente 4.200 hectares da área foram impactados pela atividade garimpeira nos últimos anos. A presença da mineração ilegal intensificou conflitos na região e motivou a operação permanente para retirada dos invasores e recuperação do território indígena.
As ações seguem sem prazo para encerramento e permanecem concentradas na eliminação da infraestrutura utilizada pelo garimpo ilegal, com o objetivo de impedir novas invasões e reduzir a pressão sobre a área protegida.
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